quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crítica - Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos

 

É sempre complicada a tarefa de adaptar um jogo para uma mídia como o cinema. Sem a interatividade, torna-se necessário fechar uma história a partir do material original e torná-la palatável mesmo para aqueles que nunca botaram a mão em um game. Felizmente, o jovem Duncan Jones tira de letra boa parte destes desafios e Warcraft não é uma das tantas bombas de filmes-baseados-em-jogos™. 

E a trama não poderia ser mais simples. Com seu planeta-natal em extinção, os orcs invadem Azeroth, planeta compartilhado pacificamente entre humanos, anões e outros seres humanóides. A invasão dá início a uma guerra e ambos os lados se mobilizam para findar o conflito. Do lado dos orcs, há o líder Gul'dan (Daniel Wu), muito influente entre os seres, e o chefe Durotan (Toby Kebbell), orc com mais tempo de tela. Entre os humanos estão o rei Llane Wrynn (Dominic Cooper), Lothar (Travis Fimmel) e os magos Medivh (Ben Foster) e Khadgar (Ben Schnetzer). 

Por se tratar de um universo ainda desconhecido por muitos, caberia a uma extensiva narração ou a flashbacks a tarefa de explicar tintim por tintim daquela história. E Warcraft já começa acertando em cheio justamente por não utilizar estes já saturados recursos, o que ele faz é lançar o espectador para o desolado mundo dos orcs e já introduzir o conflito que está por vir. É a partir da guerra que se abre a história e daí em diante já estamos mais do que bem ambientados. 

Outro cuidado do roteiro de Jones e Charles Leavitt é o de trabalhar bem os personagens do universo. Para não tomar um lado daquele conflito, tanto os orcs quanto os humanos têm tempos de tela consideráveis, o que nos ajuda a entender as motivações de cada lado. Além disso, na maioria das vezes são personagens interessantes, em especial Garona (Paula Patton), meio-humana meio-orc, e o mago aprendiz Khadgar (Ben Schnetzer). No geral, o elenco também não desaponta, com exceção do pouco inspirado Dominic Cooper e da inexpressiva atuação de Travis Fimmel, que não convence tanto no papel de Lothar, fundamental para a trama. 

Acompanhar uma história sem um protagonista declarado pode ser uma experiência diferente para a maioria dos espectadores. Dificultou um pouco meu envolvimento com a história, mas creio que seja mais questão de estranhamento do que decepção. A imersão proporcionada pelo belíssimo universo faz com que não nos preocupemos tanto com isso. Tanto Azeroth quanto o planeta dos orcs possuem identidades próprias, e os efeitos (algo que, chuto eu, seja uma mescla entre CGI e efeitos práticos) são coerentes com a lógica daquele universo. A trilha composta por Ramin Djawadi contribui para o tom épico que demanda a história. 

Ainda que possua pequenos e incômodos deslizes (um acontecimento familiar envolvendo Lothar é extremamente mal explorado e há algumas gordurinhas na história), Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos é uma obra bem interessante, que consegue introduzir um leigo espectador ao universo e funciona como o sci-fi-medieval-mágico que se propõe a ser. Mais um acerto do jovem Bowie.

 
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