quinta-feira, 2 de junho de 2016

Crítica - Truque de Mestre: O 2º Ato

 

Um ano após o show à la Robin Hood, que ganhou o coração do público e confrontou o FBI, os mestres da mágica conhecidos como os Quatro Cavaleiros são convocados para mais uma performance. Dessa vez, os Cavaleiros - J. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg), Merritt McKinney (Woody Harrelson), Jack Wilder (Dave Franco) e Lola (Lizzy Caplan) –, com a ajuda do agente do FBI Dylan Rhodes (Mark Ruffalo), elaboram uma aparição-surpresa para expor um magnata da tecnologia.

Três anos após o primeiro Truque de Mestre, a dinâmica entre os personagens continua extremamente fluida e agradável. Mesmo com a ausência de Isla Fisher (a atriz estava grávida e não pôde participar das filmagens), O 2º Ato mantém uma das poucas coisas que funcionaram bem no longa de três anos atrás, o que em muito se deve às boas atuações presentes na obra.

Um dos aspectos melhorados nesta sequência é o desenvolvimento destes mesmos personagens, mas com ressalvas. As subtramas familiares enriquecem Dylan (Mark Ruffalo) e dão mais sentido às suas motivações. Outro mágico, que possui uma relação familiar com um dos Cavaleiros, é adicionado no decorrer da trama, trabalhando melhor o desenvolvimento de um deles. Ainda assim, os demais continuam sem muito background. Ainda conhecemos pouquíssimo de J. Atlas, Jack Wilder e, agora, Lola, e isso impede que tenhamos uma identificação mais plausível com estes. Além disso, pouco se fala da ausência de Henley, fortalecendo a ideia de que Lola foi integrada ao grupo apenas para tapar buraco – e a forma como o roteiro a introduz corrobora com isso.

A trama, por sua vez, é mais redonda, construindo de forma eficiente uma história linear, sem confundir o espectador com excessivas reviravoltas ou subplots demais. Ponto para Ed Solomon, que conseguiu enxergar os erros passados e ainda introduz um interessante personagem à história: Walter, encarnado por Daniel Radcliffe, cujas ações contribuem para a história se manter minimamente linear. Ambientado em maior parte em Macau, na China, O 2º Ato é um filme um tanto sóbrio no que se refere a aspectos técnicos. Enquanto no primeiro o diretor Louis Leterrier apostava em planos movimentadíssimos e numa montagem extremamente dinâmica, Jon M. Chu é mais aquietado, com uma sequência ou outra que possui a agitação do primeiro, talvez por conta de o roteiro não exigir a mesma dinamicidade.

Truque de Mestre: O 2º Ato consegue aproveitar o que de melhor foi apresentado em seu antecessor e tenta cortar, ou ao menos amenizar, os problemas do original. Por não conseguir se resolver com maior fluidez em seu final, ainda é um filme inchado, o que o torna um filme longo em seus 139 minutos. O inchaço se deve também ao fato de haver explicação tintim por tintim para quase tudo que aparece em tela, mesmo quando nós já deduziríamos alguns daqueles truques a partir da lógica que nos fora apresentada. Se por um lado isso não deixa que ninguém saia do cinema sem entender bulhufas da história, acaba estragando a experiência de descoberta dos demais espectadores.

 
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