segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Comentário breve sobre a genialidade de 'O Silêncio dos Inocentes'

 
Às vezes (quase sempre) é melhor assistir a um filme sabendo apenas seu título. Fui assim para O Silêncio dos Inocentes e me surpreendi imensamente, principalmente pelo belíssimo desenvolvimento de personagens.


A primeira metade nem chega ao fim e já conhecemos toda a vida de Clarice, muito bem interpretada pela eficiente Jodie Foster. Por meio de flashbacks que se encaixam à narrativa proposta, o passado da protagonista se esclarece diante do espectador, explicando os porquês de sua complexa personalidade e atitudes presentes (muito devido à montagem de Craig McKay, ponto forte do longa). Acompanhamos a transformação da moça despreparada, que comete os erros de principiante nas visitas a Lecter, em uma Clarice determinada, que tem firmeza em suas ações e calca sua autoridade na personalidade imponente.

Introspectiva e milimétrica, a atuação de Hopkins confere a Hannibal o tom perfeito demandado pelo roteiro. Sentimo-nos ameaçados pela presença de Lecter, a cena envolvendo os dois policiais, a propósito, não poderia traduzir mais a frieza das ações calculadas do psicopata. Num diálogo lá pelo fim do segundo ato, a câmera de Jonathan Demme se encontra colada na cara do rapaz, enquanto Clarice está entre as grades do próprio Hannibal. Longa milimétrico e repleto de significações até mesmo em curtos planos.

Me frustrei um pouco com a solução encontrada pelo roteiro lá pro final do filme. Estragou o desfecho? Não, mas a irrealidade da situação incomoda. Ainda assim, a conclusão de O Silêncio dos Inocentes é fantástica. 

Logo abaixo, uma (opa, SPOILER) reflexãozinha que coloquei em meu Filmow (êpa, SPOILER) sobre a conclusão deste baita filme (SPOILER).

Nela, fiz a leitura de que o mal se reencarna, tem uma de suas peças tomadas para que outra volte a agir (assim como Twin Peaks). Outra coisa brilhante num dos últimos segmentos é a vítima de Buffalo Bill carregar seu animalzinho nos braços, mostrando o afeto e carinho por um canino que Bill parece nunca ter tido com humanos. Por quê? Nem cabe ao filme responder.


-

O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) - EUA 1991 - Direção: Jonathan Demme | Roteiro: Ted Tally e Thomas Harris (livro) | Com Jodie Foster, Anthony Hopkins, Scott Glenn e Ted Levine
 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos