sexta-feira, 31 de julho de 2015

Tirando a poeira stephenkingiana de 'Cujo'

 

O vírus da raiva em sua fase de infecção cerebral é a prova viva, irrefutável e determinante de que, sim, o mal existe e é uma força quase invencível. Não tenho dúvidas de que Stephen King sabia dessa verdade terrena quando escreveu Cujo (ainda que pouco se recorde do processo de escrita do livro). O filme inspirado em sua obra, no entanto, peca ao desenvolver mal seus personagens e não apresentar soluções mais inventivas em sua narrativa.

Além de Cujo, acompanhamos os Trenton e, em alguns momentos, o pessoal que mora junto com o cão. Quando estamos com a família feliz e inabalável, vemos pouquíssimo desenvolvimento destes personagens. Não sabemos quem eles são ou o que fazem (à exceção do pai, publicitário). E não nos esqueçamos de Steve, um conhecido da família que se revela extremamente descartável, servindo apenas às escapadas que o roteiro de Dunaway e Currier encontra para (tentar) amarrar suas pontas. A relação entre eles é boa? Ah, até vai. Mas as pouco inspiradas atuações comprometem o tratamento de Lewis Teague neste aspecto.

Ainda assim – já que não odiei profundamente tudo -, o cãozinho Cujo é algo a ser destacado. Afinal, ele dá nome à obra, né? Mesmo que eu tenha ficado um tanto desconfiado quanto à rapidez da transformação decorrida da raiva, há um trabalho admirável na caracterização do canino. Dos caninos, no caso, já que cinco São Bernardo foram usados na produção. Dos planos que o colocam superior às vítimas aos avanços desesperadores, vemos os méritos de Teague e do montador Neil Travis na elaboração destes momentos.

O final desaponta bastante ao optar pelo caminho mais confortável e lugar comum possível, Mas pra não ser mauzão, prefiro pensar que Cujo foi um TV Movie sem grandes pretensões de entrar para história como um novo Iluminado da vida. 

Não é que ele fica até melhorzinho quando pensado dessa forma?

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Cujo - EUA 1983 - Direção: Lewis Teague | Roteiro: Don Carlos Dunaway, Lauren Currier e Stephen King (livro) | Com Dee Wallace, Daniel Hugh-Kelly, Danny Pintauro, Ed Lauter e Christopher Stone
 
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