quarta-feira, 1 de julho de 2015

Breve comentário sobre Sin City: A Dama Fatal

 

Para quem não havia gostado tanto do primeiro filme (eu) e para aqueles que tentaram ler as graphic novels mas pararam na primeira (eu de novo), a ideia de assistir a Sin City: A Dama Fatal parece não ser a mais tentadora. Ainda assim, junto a todas as baixas expectativas, fui. E não é que viver mais uma noite em Basin City foi uma experiência até batuta? 

Nove anos de promessas, rumores, desencontros e adiamentos marcam a trajetória que nos leva ao segundo filme da série de Miller e Rodriguez. Tanto tempo assim nos faz imaginar o que de mais pode ter acontecido durante aquele tempo, ou até mesmo antes das histórias apresentadas em 2005. A Dama Fatal trabalha justamente com estes buracos e deixas para construir suas histórias, às vezes acertando em cheio (como na sequência que leva o subtítulo do longa), às vezes insistindo em personagens e tramas que já tinham sido o suficiente antes. 

Voltar a Basin City é, como já foi adiantado, uma experiência interessante. O reúso da atmosfera noir atrelado à recriação quase exata das páginas de Miller continuam a gerar composições belíssimas. Desta vez, os diretores estão mais soltos quanto aos movimentos de câmera e ambientação. O exagero no segundo plano, carros e helicópteros ainda mais estilizados e outras ideias mirabolantes devem ter saído da cabeça de Miller. Mas poxa, Rodriguez, as explosões toscas e grupos hermanos empunhando armas latinoamericanas não podiam ter ficado somente em seus outros filmes? 

Just Another Saturday Night, The Long Bad Night, A Dame to Kill For e Nancy’s Last Dance preenchem os 102 minutos do longa. Os segmentos que iniciam e fecham o filme não apresentam lá grandes atrativos, a primeira resgata Marv para mais uma historinha e a última trata de insistir em Hartigan de novo. Obviamente, decisões de mercado para traçar uma conexão entre os dois filmes. Já The Long Bad Night traz Joseph em grande estilo e é uma das histórias mais intensas do longa, vale citar uma envolvendo os pobres dedos do nosso querido ator. Christopher Lloyd, o eterno Doc. Brown, também está lá num papel insano de bom - e insano também. Já A Dama Fatal investe pesado na figura de Ava, encarnada de forma assustadora por Eva Green. Sua personagem é forte, provocante e densa, sendo marcadamente emblemática nos plots da trama. Se os personagens por Ava provocados ainda tibubeiam antes de serem fisgados, o espectador já foi cozido e digerido muito antes. 

Em um certo momento, Dwight (Josh Brolin) é contratado por uma moça para fotografar seu marido com uma possível amante. “O triste é que algumas das composições são muito boas”, revela Dwight ao perceber como, mesmo que com um conteúdo sujo e esdrúxulo, suas fotos ainda saem bonitas. Não é necessário pensar muito para perceber como o personagem ironicamente comenta a própria obra. Afinal, os méritos técnicos em composição, fotografia, direção de arte e afins estão lá, trata-se de um universo muito bem passado pra tela, trabalhado e instigante. Além disso, alguns segmentos preenchem esta ambientação de forma a ressignificá-lo bem. Mas sabe quando ainda não é aqueeeeeeeela coisa? Então, Sin City 2 é assim. 

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Sin City: A Dama Fatal (Sin City: A Dame to Kill For) - EUA 2014 - Direção: Frank Miller e Robert Rodriguez | Roteiro: Frank Miller | Com Mickey Rourke, Jessica Alba, Josh Brolin, Joseph Gordon-Levitt, Rosario Dawson, Bruce Willis, Eva Green
 
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