segunda-feira, 16 de março de 2015

Em 1990, Johnny Depp viajava no tempo para usar brilhantina e cantar rock'n'roll, baby

 

Os anos são os 1950, o local, Baltimore, a mais populosa cidade do estado americano de Maryland. Impressiona saber que a guerrinha é quase entre coxinha e petralha, se não fosse, é claro, pela leve diferença de época e localidade. Aqui vemos os embates entre os quadrados e os farrapos. Os primeiros são herança da quietude da década passada: arrumadinhos, engomadinhos, comportadinhos. Já os outros são a rebeldia pura, usam jaqueta de couro e cantam rock'n roll. E lá está Johnny Depp.

Novinho demais da conta, Depp está um charme de jovem no filme. Conhecido como cry-baby, ou chorão, ele é órfão, canta nas horas vagas e está tentando conquistar o coração de Allison, interpretada por Amy Locane. Nesta comédia musical maluca foda, John Waters, que dirige e escreve, por pouco não erra ao não apresentar uma história que ao menos sustentasse um longa. O que vemos durante toda a projeção é uma utilização de uma visão estereotipadamente clichê da época, mas comentando e desconstruindo algumas coisas da crendice popular. Algo bem feito, mas você entendeu bem?

É tudo feito exatamente como imaginamos - ou a cultura popular nos fez acreditar - que eram os anos 1950. Porém, as moças não são lá tão unidimensionais como poderiam vir a sugerir outras histórias, pelo contrário, invadem presídios, tocam em bandas, azaram rapazes ao invés de esperarem por eles e por aí vai. E não são apenas as mais bonitinhas que ganham espaço, há diversidade. Os negros? Bem, Waters nos apresenta, com maior profundidade, apenas um, que vai pra prisão junto com cry-baby (ops) onde tem uma cacetada de outros negros. Vacilo, mas ainda não é o maior erro.

Demora até que Cry-Baby se torne assistivelmente interessante, isso porque ele simplesmente demora a encontrar algo para contar (e é preciso um pouco de paciência para aceitar que o que ele tem não é quase nada). E, mesmo com as condizentes condições estéticas que o assemelham à época, o filme não desembola bem. Mas quer saber? Ainda tem só 1h25, não precisa pegar taaanto no pé assim.

Dica: vi na Netflix, vê se ainda tá lá.


 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos