segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tirando a poeira de Assassinos Cibernéticos

 

Em Sirius 6B, planeta com disputadas minas de exploração de metal, é travada uma guerra entre a Aliança e a NBE. Para se protegerem dos ataques rivais, os mineiros e cientistas da Aliança construíram os “screamers”, pequenos robôs que viajam pelas areias do planeta e matam toda forma de vida que encontrarem. 

Bem, esta deve ter sido uma das piores sinopses que já escrevi. Também, não é para menos, não consegui encontrar nenhuma outra que salvasse internet afora. Assim, mesmo tendo visto e entendido os trâmites políticos e a própria trama de Assassinos Cibernéticos, não há como negar como se torna desinteressante, cena após cena, esta adaptação de um conto de P.K. Dick. 

Minha dificuldade em definir a Aliança e a NBE podem ser explicadas pelo pouco caso do roteiro de nos mostrar quem compõe estes grupos e o porquê de estarem ali. Há, sim, a questão das minas, mas é só isso? Por que todos falam inglês? São da mesma etnia? Vieram de locais semelhantes? Afinal, que porra de efeitos são esses? 


Seria ingenuidade dizer que o filme sofreu dos males dos “pouco avançados efeitos especiais da década de 90”. Por favor, Mortal Kombat era do mesmo ano e já trazia algo mais decente. Mas o longa dirigido por Christian Duguay também não faz questão de dar muita bola pra isso. Há uma triste necessidade de mostrar a “visão” dos agressivos robôs. Uma dica: escondê-los os deixaria muito mais aterrorizantes ao espectador (assim como no conto). 

A obra original de Dick foi escrita em, pasmem, 1953. Logo, não é de se estranhar que o autor tenha colocado EUA e Rússia como os combatentes desta guerra. E quer saber? Seria muito melhor se Dan O'Bannon e Miguel Tejada-Flore abrissem mão de insistir em NBE e Aliança para voltar ao clássico, mas nunca cansativo, clima da Guerra Fria. E se isso já não fosse o suficiente, elementos importantíssimos referentes aos robôs também inexistem no filme de 1995. Já o final é uma verdadeira tristeza. P.K. choraria. 

Os personagens de Assassinos Cibernéticos só não são piores do que suas apagadíssimas atuações. Numa cena lá pro meio do filme, o personagem de Roy Dupuis afia uma faca enquanto faz bullying com o soldado Jefferson, interpretado por Andrew Lauer. A câmera? Bom, ela filma de pertinho esse afiamento para que entendamos o quão merda era aquela situação. Ah, mas como Philip choraria. 

3/10

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Assassinos Cibernéticos (Screamers) - EUA 1995 - Direção Christian Duguay | Roteiro: Dan O'Bannon, Miguel Tejada-Flores e Philip K. Dick (conto) | Com Peter Weller, Roy Dupuis, Jennifer Rubin e Andre Lauer
 
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