quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Crítica - Corações de Ferro

 

Antes restrito ao apoio à infantaria, o tanque passou a ter um papel fundamental na Segunda Guerra Mundial. Don Collier (Brad Pitt) é o soldado responsável pelo Fury, tanque do exército norte-americano que está em investida contra os militares alemães. Em sua equipe, Collier conta com Boyd (Shia LaBeouf), Gordo (Michael Peña), Grady (John Bernthal) e o jovem Norman (Logan Lerman).

Ao revisitar a Segunda Grande Guerra com a intenção de explorar o tal veículo, suas implicações no conflito e um grupo específico de combatentes, David Ayer acerta no tom de sua obra. A trilha de Steven Price pode soar um pouco exagerada em muitos momentos, mas o cineasta faz das situações vividas por seus personagens um breve estudo da relação entre eles e do horror da guerra.

Por vezes explorando mais a figura de Don e por outras focando na iniciação de Norman nos combates, Corações de Ferro traz diálogos precisos para definir seus personagens. “Ideais são pacíficos, a história é violenta”, diz, em determinada cena, o personagem interpretado por Brad Pitt. Sua vivência em conflitos e as marcas da guerra não estão apenas em suas cicatrizes espalhadas pelas costas, já são feridas permanentes dentro dele.  

Personagens e relações estas que definem o trabalho de Ayer. Durante a preparação para os papéis, o diretor exigiu que os atores realizassem um treinamento com Navy seals, passassem por dificuldades e até dirigissem agressões pessoais entre eles mesmos. O último, é claro, não foi em vão. Apesar da boa convivência entre os rapazes e do trabalho em equipe bem realizado, o grupo do Fury também passa por seus momentos de conflitos internos e neste ponto não há quem duvide das boas interpretações do elenco.

Para levantar os pontos negativos do filme, poderia muito sacanamente dizer que não acontece nada demais em sua história. Mas é justamente nos momentos do convívio entre os soldados e das cenas menos “turbulentas” que se encontram os acertos da boa direção de Ayer - e que o diga a sequência na casa das moças alemãs. Ainda assim, a trama torna-se extremamente arrastada quando Fury chega perto de sua conclusão. Como Senhor dos Anéis, tem diversos momentos em que poderia ter acabado e ainda fechar com um bom final, em outros, como nas últimas cenas, Ayer insiste em tomadas longuíssimas, quase simulando Peter Jackson.

De qualquer forma, Corações de Ferro não deixa de ser um bom filme. Se já é curioso o bastante ao trazer quatro atores judeus nos papéis principais entre os soldados estadunidenses (Logan Lerman, Jon Bernthal, Shia LaBeouf e Jason Isaacs), é também tão quente e cuidadoso quanto a fotografia de Roman Vasyanov. Pode não ficar para a memória entre os melhores filmes de guerra ou algo do tipo, mas explora e questiona diferentes aspectos do ocorrido.

7/10

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Corações de Ferro (Fury) - EUA 2014 - Direção e roteiro: David Ayer - Com Brad Pitt, Logan Lerman, Jon Bernthal, Shia LaBeouf, e Jason Isaacs
 
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