domingo, 1 de fevereiro de 2015

Coringa: Jack Nicholson ou Heath Ledger?

 

Ou Cesar Romero (da série clássica)? Ou Jared Leto? Este último ainda pode nos surpreender mais pra frente, porém, resolvermos nos ater aos dois Coringas mais marcantes do cinema. Nicholson interpretou o vilão em Batman, longa de Tim Burton que estreou em 1989. Já Ledger, que veio a falecer meses depois de finalizar seu papel em O Cavaleiro das Trevas, de 2008, foi uma peça-chave de toda a trilogia de Christopher Nolan. Afinal, qual foi o melhor? 

Antes de mais nada, essa questão de “melhor” é complicada. Primeiramente, o papel do diretor e do roteiro no estabelecimento do personagem influenciam tanto quanto a atuação e os improvisos (às vezes não tão permitidos) dos atores. Vale lembrar também a proposta do Palhaço do Crime de cada longa. Sendo assim, consideraremos tais aspectos tanto quanto os demais. E neles, Burton e Nolan se diferenciam bastante. 


Batman é bem característico por ser o filme que menos desenvolve seu personagem principal. Michael Keaton, que naquela época ainda não se mostrava o grande ator que viria a ser, ajuda pouquíssimo para isso acontecer. Então, o roteiro de Sam Hamm e Warren Skaaren tem em Coringa o principal motivo de acender seus holofotes ao máximo. Burton? Bom, o psicótico vilão parece ter sido tirado de seus próprios filmes. 

Cômico e esquizofrenicamente maluco, o Coringa de 1989 é tão caricato quanto os demais personagens do filme. Foi certeira a ideia de trazê-lo de determinadas histórias e transpô-lo sem muitas adaptações. Nicholson, empolgado e totalmente na vibe do vilão, faz aquilo que bem sabemos que ele domina: ficar louco. Burton o treinou para O Iluminado

As situações aqui presentes são mais icônicas que as de Nolan, quem vê o vilão passeando num carro enfeitado enquanto joga dinheiro para os cidadãos não se esquece. Ainda mais quando jogaria aquele gás fodido em todo mundo.  

Em um determinado momento, Vicki Vale, a jornalista vivida pela jovem e bonita Kim Basinger, pergunta ao personagem o que ela poderia fazer para ele. Joker, então, responde: “Oh, uma pequena cação, uma pequena dança, a cabeça de Batman numa lança”. Noutro, o Capuz Vermelho diz sofrer de uma doença, esta seria o próprio homem-morcego. 


Segunda parte do reboot de Christopher Nolan, O Cavaleiro das Trevas é tão sério quanto Begins, mas traz Coringa, o principal escrotizador de Gotham City. Christopher, Jonathan e David Goyer escrevem uma história redonda, com um desenvolvimento interessantíssimo. Nele, Heath Ledger não apenas rouba a cena, como deveria fazer com que o filme chamasse The Dark Joker.

No filme de 2008, há um esforço bem grande na caracterização do Coringa como o forte vilão do longa. Seus diálogos podem até não ser tão marcantes quanto os da obra de Burton, mas conseguem gerar até páginas e viralizar internet afora. O verdadeiro responsável por todo o sucesso – e méritos? Heath Ledger. 


O merecido Oscar de ator coadjuvante que ganhou postumamente traz emocionantes relatos de sua família. Afinal, fazia um bom tempo desde que filmes de super-herói, subgênero maltratado pela crítica e quase ignorado pela Academia, ocupavam posições de destaque na premiação. Acho maldoso falar que Ledger "ganhou porque morreu". Bem maldoso, na verdade. Sua atuação é fantástica, maluca e faz jus ao personagem. 

Séria, densa e nolanística como Amnésia ou O Grande Truque, a trilogia de Christopher Nolan possui em O Cavaleiro das Trevas seu equilíbrio perfeito. A trama é pesada, mas Coringa traz a comicidade necessária de seu personagem aliada aos alívios cômicos do longa. Não é à toa que seja considerado o melhor filme da trilogia. 

O VEREDITO: Heath Ledger 


Pois é. Amo Nicholson, amo o filme de Tim Burton, mas em quesito de Coringa não há quem supere ou superará Heath Ledger. Aquele ator de comediazinhas adolescentes e O Segredo de Brokeback Mountain chegou como quem não queria nada e, como é sempre bom ressaltar, se mostrou uma das maiores peças-chave da trilogia Nolan. Se Rises precisava de ceninhas bobas com Anne Hathaway batendo em certos bandidos para falar coisinhas cômicas, o filme de 2008 possui Coringa. E, bem, isso já basta.
 
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