quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Tirando a poeira de Trainspotting - Sem Limites

 

Quem conhece o Danny Boyle de 127 Horas ou até aquele de Quem Quer Ser um Milionário? nunca imaginaria o diretor encarando algo como Trainspotting. Impressiona vê-lo, de forma tão elétrica e alucinada, a conduzir o ótimo roteiro de John Hodge (adaptado do livro de Irvine Welsh). Tudo bem, fiz errado ao começar sua filmografia pelos mais novos, mas a vida é feita de decisões. Aliás, preciso mesmo dar razões? Quem precisa de razões quando se tem heroína?

Acompanhamos, em Edimburgo, na Escócia, a despreocupada vida de Mark Renton (Ewan McGregor), um jovem viciado em heroína. Em meio a seu desejo – digamos, pouco inspirado – de largar a droga e seu romance com Diane (Kelly Macdonald), Renton perambula pelas ruas escocesas com seus amigos Spud (Ewen Bremner), Sick Boy (Jonny Lee Miller), Tommy (Kevin McKidd) e Begbie (Robert Carlyle).

Em seu sexto filme, Boyle não é inovador, muito menos revolucionário. O diretor opta por trazer influências muito benéficas ao tom adotado pela obra, acertando em cheio em suas decisões. A relação entre os componentes do grupo de Mark, suas atitudes e outros elementos logo nos remetem a Laranja Mecânica. Já as explosões de Robert Carlyle, que interpreta Begbie, parecem comprovar que Joe Pesci encarnou no rapaz sem nem mesmo ter morrido. E se é pra continuar neste violento clima, O Grande Golpe, de Kubrick, parece se misturar aos primeiros longas de Tarantino durante o terceiro ato do filme.

E não digo que Boyle trouxe estas diversas influências por mal, pelo contrário, ele soube utilizá-las da melhor maneira possível. No que tange à ambientação de toda a obra, há diversos outros acertos do cineasta, principalmente atrelados à puta direção de arte de Tracey Gallacher. Vazios, sem vida e escuros, os quartos e as próprias casas dos personagens não poderiam ser outras coisas, senão seus próprios reflexos. A escolha das músicas segue o mesmo caminho, mas nos lembrando de que aquela história se passa nos anos 90. Quer algo mais anos 90 do que Blur?

Trainspotting – Sem Limites é um filme de tirar o fôlego. Você tem a chance de, assim como eu, enrolar demais até finalmente vê-lo, mas pode ter certeza que baterá aquele arrependimento por ter demorado tanto. Ewan McGregor, que logo mais faria Obi-Wan Kenobi no novo Star Wars, até desanima quando aparece como protagonista, mas mesmo ele encontra-se no ritmo desta grande obra e não decepciona.

9/10

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Trainspotting - Sem Limites (Trainspotting) - Inglaterra 1996 - Direção: Danny Boyle - Roteiro: John Hodge e Irvine Welsh (livro) - Com: Ewan McGregor, Ewen Bremner, Jonny Lee Miller, Kevin McKidd, Robert Carlyle e Kelly Macdonald
 
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