quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Crítica - Paraísos Artificiais

 

Assistir a Paraísos Artificiais no cinema deve ter sido uma experiência muito supimpa, sem dúvida. A intensidade com a qual são tratados os momentos de euforia, melancolia e, de certa forma, angústia deve ficar ainda mais forte com a belíssima fotografia do longa. Ainda assim, nem mesmo a inteligente montagem consegue salvar a dificuldade do roteiro de estabelecer personagens e uma história que sustentassem. Nem assistir no cinema, creio. 

Erika (Nathalia Dill) é uma DJ de relativo sucesso e muito amiga de Lara (Lívia de Bueno). Juntas, durante um festival onde Erika trabalhava, elas conheceram Nando (Luca Bianchi) e, juntos, vivem um momento intenso. Entretanto, logo em seguida o trio se separa. Anos depois Erika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. Só que apenas Erika se lembra do verdadeiro motivo pelo qual eles se afastaram pouco após se conhecerem, anos antes. [Sinopse do AdoroCinema

A intensidade do filme é logo percebida pela forma como Marcos Prado retrata as festas e os festivais aos quais vão os pouco interessantes personagens. Nestas, fotografia e som exercem um papel fundamental em toda a construção da ambientação utilizada por Prado. Não é a toa que o diretor de fotografia seja Lula Carvalho, que já nos presenteara com ótimos trabalhos em Tropa de Elite e Feliz Natal. Vale lembrar, ainda, que Paraísos Artificiais não é lá um dos filmes mais felizes de se ver. Neste aspecto, a retratação dos momentos melancólicos e tristes dos personagens também dá um show inacreditável. Mesmo que nos importemos pouco (pra não dizer “nada”) com aquelas pessoas, tecnicamente, nada falha. 

Já a montagem de Quito Ribeiro ajuda em muito para que o filme tome ritmo e consiga explorar bem a história. Se não estou enganado, são três cronologias separadas por alguns anos que se intercalam durante o filme. O problema é que elas tratam de personagens bobos, desinteressantes, numa história que ainda tenta se erguer utilizando plots com temáticas mais delicadas. 

Senti e me preocupei muito mais pela apagada Márcia, mãe de Lipe e Nando, do que por qualquer outro personagem. Com pouquíssimo tempo de projeção, a mãe dos dois rapazes traz muito mais profundidade e carisma que suas crias. Lipe, Nando, Érika e companhia são jovens inconsequentes, chatinhos e que não acrescentam quase nada. Seus problemas e momentos de maior tensão não são interessantes como aparentam, basta desloca-los do filme e analisa-los separadamente. 

Ao final, tive a impressão de um filme que tentava ser maneiro, mas que caía na caretice. Com uma temática interessante que merecia mais desenvolvimento, os personagens e os trâmites ali envolvidos falham demais. De qualquer forma, não deixa de ser, visual e sonoramente, um filme lindo de se assistir.

6/10

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Paraísos Artificiais - Brasil 2012 - Direção: Marcos Prado - Roteiro: Pablo Padilla, Cristiano Gualda e Marcos Prado - Com Nathalia Dill, Luca Bianchi, Lívia de Bueno e César Cardadeiro
 
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