terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Crítica - O Jogo da Imitação

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, o matemático e criptoanalista Alan Turing (Benedict Cumberbatch) trabalhou para a inteligência britânica na tentativa de decodificar as mensagens enviadas pelas tropas alemãs, que indicavam as ações de seu exército. A Alan juntaram-se Joan Clarke (Keira Knightley), Hugh Alexander (Matthew Good), John Cairncross (Allen Leech) e Peter Hilton (Matthew Beard).

Sério candidato a diversas indicações, quiçá estatuetas, no Oscar, O Jogo da Imitação chega apenas meste mês em território brasileiro. O thriller com uma boa pitada histórica dirigido por Morten Tyldum (Headhunters) se constrói sem arriscar demais, consolidando-se como uma boa representação do ocorrido. 

A partir do livro escrito por Andrew Hodges, o iniciante Graham Moore faz um roteiro conciso e com um desenrolar interessantíssimo. Destaca-se a forma como é trabalhada a personalidade de Turing durante todo o filme, tão enigmático quanto os desafios que costuma solucionar. A propósito, não é possível imaginar outro ator tão bom para interpretá-lo que não Benedict Cumberbatch, “estranhinho” por natureza, e que realiza um excelente trabalho ao fazer o conhecido “pai do computador”. A homossexualidade de Turing, inclusive, é um dos pontos altos de todo o desenvolvimento do personagem. 

E como estamos falando de um filme histórico, o pano de fundo da Segunda Grande Guerra funciona bem. Como toda a ação presente no longa é centrada nas salas da Inteligência britânica, é de suma importância a montagem do experiente William Goldenberg (Argo, A Hora Mais Escura) nesta contextualização. Além de registros históricos, Goldenberg utiliza também algumas representações de confrontos feitas em estúdio. Estas últimas não funcionam muito bem, soando deveras artificiais nos momentos em que são inseridas. 

Acompanhado da marcante e envolvente trilha de Alexandre Desplat (O Discurso do Rei), O Jogo da Imitação vive um caso de amor e ódio na direção de Tyldum. Por mais que se encontre bem contido, o britânico consegue imprimir na trama os momentos de adrenalina e tensão aos quais remetem as situações do roteiro. Por outro lado, a visão sobre a guerra é bastante simplista, assim como as alternativas encontradas pelo diretor para trabalhar momentos-chave da obra, como a cena final quase boba e acompanhada de citações do que veio a acontecer depois. Algumas concessões claramente comerciais e tais problemas até tiram um pouco do brilho presente na atuação de Cumberbatch e no inteligente roteiro, mas não fazem O Jogo da Imitação deixar de ser um grande filme.

8/10

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O Jogo da Imitação (The Imitation Game) - Inglaterra 2014 - Direção: Morten Tyldum - Roteiro: Graham Moore e Andrew Hodges (livro) - Com Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Rory Kinnear, Allen Leech e Matthew Beard
 
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