domingo, 25 de janeiro de 2015

Crítica - Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo

 
Campeão olímpico de luta greco-romana, Mark Schultz (Channing Tatum) sempre treinou com seu irmão mais velho, David (Mark Ruffalo), que é também uma lenda no esporte. Até que, um dia, recebe um convite para visitar o milionário John du Pont (Steve Carell) em sua mansão. Apaixonado pelo esporte, du Pont oferece a Mark que entre em sua própria equipe, a Foxcatcher, onde teria todas as condições necessárias para se aprimorar. Atraído pelo salário e as condições de vida oferecidas, Mark aceita a proposta e, assim, se muda para uma casa na propriedade do milionário. Aos poucos eles se tornam amigos, mas a difícil personalidade de du Pont faz com que Mark acabe seguindo uma trilha perigosa para um atleta. [Sinopse do AdoroCinema]


Quase todas as possíveis sinopses de Foxcatcher não nos sugerem a tal “história que chocou o mundo” ou sequer tiram do espectador aquela sensação de que verá mais um comum filme sobre esportistas. Mas o eficiente roteiro de E. Max Frye e Dan Futterman caminha tão bem quanto as excelentes atuações do curioso elenco do longa. Isto, sim, é capaz de chocar o mundo.

Foxcatcher tem todo o seu primeiro ato trilhado pelo oposto do que é a luta. Frio, triste e solitário, o filme não encontra motivos para que nos importemos por Mark nem mesmo na relação de companheirismo e amizade que Dave tem com seu irmão. Quando du Pont aparece, vemos sua fragilidade tão forte quanto a do Schultz mais novo, porém maquiada pelas fortunas herdadas de sua família. A Mark falta a confiança na capacidade e certeza de que pode vencer sem estar à sombra de seu irmão, a John, tapar a quantidade inestimável de buracos que sua vida regrada de riquezas e isolamentos o deixou. O personagem de Ruffalo é o equilíbrio perfeito, possui dois adoráveis filhos, uma vida feliz, é casado com uma esposa a quem ama, etc. Ainda assim, não é o equilíbrio para John ou Mark, pelo contrário. Como bem aponta Pablo Villaça, do Cinema em Cena, “trágico não só pela perda que trouxe, o relacionamento entre os três homens de Foxcatcher é um pequeno estudo de personalidades ao mesmo tempo conflitantes e complementares”.

Já as atuações são esplendidamente complementares ao ótimo roteiro. Se Carell não chocou o mundo com suas atrapalhadas situações em The Office, por aqui ele mostra como consegue, entupido de uma maquiagem envelhecedora e triste, carregar a frieza e a solidão de John du Pont. Tatum, devo dizer, me impressionou – digo, chocou – pois não faz muito diferente daquilo que me recordo que fizera em outros trabalhos, mas o utiliza da forma perfeita, se curvando e aceitando o peso que insiste em colocar seu musculoso, mas fraco personagem para baixo. Por fim, Ruffalo também é aquilo mesmo que vemos, e imaginamos que deva ser na vida real. O mais cativante e carismático dos personagens rouba a cena e nos faz querer que esteja sempre ali para consertar os problemas vividos pelos demais.

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo é um longa sobre seus frágeis personagens, por vezes encontrando em outros aquilo que disfarça suas ausências, por outras tendo o equilíbrio como seu principal inimigo. Derrama algumas lágrimas, nos coloca na ponta da poltrona em diversos momentos, nos prende. Um grandioso filme.

10/10

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Foxcatcher - EUA 2014 - Direção: Bennett Miller - Roteiro: E. Max Frye e Dan Futterman - Com Steve Carell, Channing Tatum, Mark Ruffalo, Sienna Miller
 
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