sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Crítica - Os Boxtrolls

 

Seres diferentes do humano convencional vivem em um local escondido, abaixo da superfície. Caso subam, o que acontece somente quando a noite cai, devem tomar muito cuidado com homens que têm como propósito prendê-los para que não mais possam perturbar os cidadãos de bem. Os tais boxtrolls fazem algo de ruim? Não, mas o medo do que aquilo pode representar faz com que sejam varridos da superfície. E é neste local acima de onde vivem os “monstros” que se encontra a cidade de Ponte Queijo, governada pelo Lorde Portley-Rind. O lorde é corrompido, se dá ao luxo de possuir caras iguarias ao invés de construir infraestrutura para sua própria cidade. Aquele que quer tomar seu posto, conseguir o máximo do poder naquela cidade, promete tirar todos os boxtrolls daquela civilização, exterminá-los para sempre. 

É sério que não existe nada demais na trama? Não é possível, sem grandes esforços, fazer leituras aprofundadas, sérias e atuais do contexto de Os Boxtrolls? Bem, ele não me parece muito distante da opressão vivida por certas minorias em diversos países nos dias de hoje (e, de forma alguma, excluo o Brasil dessa). Acontece que o novo filme do estúdio de stop-motion Laika (Coraline, ParaNorman) passou um pouco despercebido ano passado, mas sua indicação ao Oscar de animação felizmente o dá um pouco mais de visibilidade agora. 

Dirigido por Graham Annable e Anthony Stacchi, Os Boxtrolls só se revela como stop-motion após os primeiros créditos ao fim, que brincam um pouco com o processo, ou caso você já tenha lido que se tratava de um filme do tipo. Fora isso, é fantástico perceber como são bem trabalhados os movimentos e toda a ação do filme com tamanha fluidez. Em certo momento, Annable e Stacchi dirigem uma perseguição tão aventuresca que parece até ter sido tirada de um Indiana Jones. Já a trama, adaptada por Irena Brignull e Adam Pava a partir do livro Here Be Monsters! de Alan Snow, é interessante justamente por servir como um bom entretenimento infantil ao passo que fornece tantas leituras interessantes. 

Os Boxtrolls ainda resgata um pouco daquela conhecida ideia de "criança criada por animais" ao colocar como protagonista Ovo, um garoto que cresceu com os boxtrolls desde bebê. Ainda assim, Ovo fala do jeito que falamos, se movimenta como nos movimentamos, apenas têm alguns costumes diferentes aqui e ali, basta que ensinem alguma coisa de etiqueta para que seja um humano como qualquer um. Afinal, por razões às vezes meramente físicas, os boxtrolls não se diferenciam tanto dos humanos, apenas são oprimidos (muitas vezes sem motivo).  

Hum... Interessante.

9/10

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Os Boxtrolls - EUA 2014 - Direção: Graham Annable e Anthony Stacchi - Roteiro: Irena Brignull, Adam Pava e Alan Snow (livro) - Com vozes de Ben Kingsley, Jared Harris, Nick frost, Dee Bradley Baker, Elle Fanning e Isaac Hempstead Wright
 
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