domingo, 25 de janeiro de 2015

Breve comentário sobre Depois da Chuva

 

Temos poucos filmes brasileiros que retratam os anos 1980. Logo a década da redemocratização, logo a década das Diretas Já, logo essa década cheia de bizarrices. E se John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Clube dos Cinco) fez os 80’s americanos se refletirem em sua obra, é uma moça com o mesmo sobrenome, Marília Hughes, que se junta a Cláudio Marques para marcar a época numa redonda e cativante obra.

Em 1984, o jovem de 16 anos Caio (Pedro Maia) se encontra pouco confiante quanto aos rumos do país. Meio anarquista e meio sem esperança quanto a sua própria vida, ele anda com pessoas mais velhas, faz parte de uma rádio pirata, escreve fanzines e por aí vai. Em meio às eleições para o grêmio estudantil e uma ameaça de expulsão do colégio onde estuda, ainda enfrenta mudanças hormonais e comportamentais.

Ainda que o contexto seja forte, com o potencial para se tornar um personagem do filme, é Caio quem toma Depois da Chuva para si. O pai ausente, a mãe pouco amigável, as companhias externas, as buscas internas e a puberdade fazem com que o forte momento vivido pelo país vire nada mais que o pano de fundo para tudo isto. E, sejamos sinceros, o que é relatado e pode ser tirado dele é algo bem comum de se encontrar em um adolescente de qualquer época.

Pedro Maia, que foi premiado no Festival de Brasília pela atuação, capta todas as facetas de seu personagem. Suas madeixas até tentam esconder o enigmático Caio, mas suas atitudes o entregam sem pestanejar. A tal chuva pode significar o momento militar e seus longos 21 anos, como também indicar a própria turbulenta vida do jovem. E, afinal, o que veio depois dela? 

7/10

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Depois da Chuva - Brasil 2013 (estreou em janeiro de 2015) - Direção: Cláudio Marques e Marília Hughes - Roteiro: Cláudio Marques - Com Pedro Maia, Sophia Corral, Ricardo Burgos, Aícha Marques
 
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