terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os filmes mais bacanudos de 2014

 
O dia de estreias passou de sexta para quinta, o preço da pipoca continuou a subir e franquias de sobrevivência estão cada vez mais na moda. De qualquer forma, o ano que se encerra em poucos dias trouxe filmes bem bacanas, por que não falar dos mais bacanudos, então?


Antes de adentrarmos naqueles que mais nos chamaram atenção durante este ano recheado de tragédias e alegrias, comentemos dos filmes que quase chegaram lá.

Interestelar, longa-metragem espacial de Christopher Nolan, marcou a estreia do diretor em campos tão distantes. Estrelado por Matthew Mcconaughey, o filme só não dividiu mais pessoas do que as eleições. Para nós, que nos estendemos sobre a obra em dois textos (aqui e aqui), Interestelar, apesar dos deslizes, se mostrou uma excelente ficção científica, abordando diversas reflexões e críticas. E não é que levou também o favorito da galera? Vocês votaram e o longa ganhou com 19% dos votos, dois pontos percentuais de diferença de Planeta dos Macacos: O Confronto. Quem não gostou que vá ver O Enigma do Horizonte!

Para lembrar também que não é interessante se ater apenas ao cinema dos EUA, Relatos Selvagens, do argentino Damián Szifrón, é uma peça rara dessa América aqui de baixo. O filme compila seis histórias apresentadas antologicamente que se conectam por tratarem do que há mais de violento, vingativo e, vejam só, selvagem no ser humano. Como quem bem pode dizer o ditado “quem ri por último, ri melhor”, Damián Szifron não apenas repete estas sábias palavras, como aplica seu significado a Relatos Selvagens, fazendo com que o espectador ria de todo este tragicômico que permeia sua grande obra (citamos nós mesmos deste texto aqui).

Para fechar esta onda de citações desenfreadas antes de adentrarmos loucamente nos "primeiros", Planeta dos Macacos: O Confronto (crítica here) merece seu espacinho por aqui. Dez anos após os acontecimentos de A Origem, César está mais velho e a revolução símia toma corpo e vida. Muito superior ao primeiro, o filme de Matt Reeves surpreende por sua sumidade e imerge do início ao fim. Deem um biscoito a Andy Serkis!


3º Lugar: Boyhood: Da Infância à Juventude

Pois é, Linklater nos cativou mais uma vez. Sua trilogia Antes já nos mostrara como o diretor é bom em trabalhar personagens interpretados pelos mesmos atores num longo período de tempo. Em Boyhood, o diretor faz isso em um único filme! Durante 12 anos! Vi muitas reclamações quanto ao fato de se tratar de um projeto grande, mas não de uma obra interessante. Não mesmo. O amadurecimento de Mason é belissimamente contado e possui, sim, uma história excelente.

2º Lugar: Garota Exemplar

Sô Fincher, antes de uma terça-feira qualquer deste ano de 2014, era uma figura que eu gostava de evitar ao ver seu nome em alguma coisa. Tivemos, por motivos quase que profissionais, que assistir a Garota Exemplar, e aí veio a redenção - e a melancolia. Adaptado pela mesma autora do best-seller Gillian Flynn, o filme é intenso, ainda mais na maneira como todos os elementos ali presentes são trabalhados. Ao final, Rosamund Pike o deixará pasmo, pensante, melancólico, cabreiro. É melhor não exagerar na dose.

1º Lugar: O Lobo atrás da Porta

Este pode ter até chegado ano passado, mas foi só em 2014 que pudemos conferi-lo nas poucas salas espalhadas por este Brasil. Quem diz que "cinema brasileiro só produz merda" não merece levar um coice de volta, mas receber recomendações de verdade - e assistir ao verdadeiro cinema brasileiro. O Lobo atrás da Porta é uma destas, provando que nós também podemos fazer tudo de bem trabalhado que eles fazem lá fora e ainda colocar um pouco de nossas cultura, realidade e vivência.

Inspirado em famosos casos de desaparecimento de crianças e outros como Fera da Penha (não procure se quiser evitar spoilers), Fernando Coimbra monta uma história que nos fisga logo no começo, com uma mulher de meia idade descobrindo que um desconhecido havia buscado sua filha Clara na creche. Com um trio de atores fenomenal (Milhem Cortaz, Leandra Leal e Fabiula Nascimento), O Lobo atrás da Porta choca ainda mais que o filme que ficou na segunda posição. Seu desenvolvimento é impressionante, seu desfecho, aterrador. Mereceu a medalha de ouro.


E as surpresas?

Ah, as surpresas. Bom, aquele papinho de que "ninguém dava nada praquele ali e olha só". Coloque logo sua fitinha Awesome Mix Vol. 1 que a primeira grande surpresa é Guardiões da Galáxia. Como ninguém neste mundão de Deus nunca leu nada dessa galera, impressiona como quase todos deste mesmo mundão gostaram do filme. O longa de James Gunn reuniu os personagens criminosos em um supergrupo para jogá-los numa aventura alucinante com. um. guaxinim. Keep it up, girl!

A outra vem das mãos bizarras de Darren Aronofsky. Pra falar a verdade, veio ainda antes com o quadrinho que o próprio Darren escreverá sobre o mito do barbudo. Em Noé, a passagem bíblica toma vida, profundidade e se torna marcante com a estupenda atuação de Russell Crowe. O filme é essencialmente sobre o protagonista e não é a toa que isso já seja dito no título. Acompanhamos a história de alguém que tem fé, mas que não foge da sua função humana de questionar. Baita firme.

Por fim, amor. Não aquele batido das ~comédias românticas~ que se vê por aí, mas ele em sua essência, sem depender do gênero dos envolvidos. E é partindo da premissa de um puta curta que Hoje Eu Quero Voltar Sozinho acerta em sua proposta. Em tempos em que se torna normal ouvir babacatrocidades das bocas de Bolsonaro e Malafaia, um filme que consegue quebrar tantas barreiras sendo tão bem desenvolvido e bonito impressiona. Foi o pré-indicado brasileiro a disputar uma vaguinha no Oscar, mas não deu. Ainda valeu demais!
 
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