terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Crítica - Lucy

 
Quando a inocente jovem Lucy (Scarlett Johansson) aceita transportar drogas dentro do seu estômago, ela não conhece muito bem os riscos que corre. Por acaso, ela acaba absorvendo as drogas, e um efeito inesperado acontece: Lucy ganha poderes sobre-humanos, incluindo a telecinesia, a ausência de dor e a capacidade de adquirir conhecimento instantaneamente. [Sinopse do AdoroCinema]


Luc Besson tem uma cabeça difícil de ser entendida. Mesmo que utilizássemos 300% de nosso cérebro, dificilmente conseguiríamos entender o porquê de esse parisiense maluco fazer algo como Lucy. Completamente diferente da obra construída pelo autor ao longo de sua carreira, o filme diverte e consegue entreter com sua loucura absurda, mas é ruim.

Divertido e que entretem pois nos dá sequências de ação bem construídas e que utilizam o cenário de formas interessantes. Basta perceber, como ressalta o crítico da TIME Richard Corliss, que Lucy faz em quatro minutos mirabolantes e difíceis cenas de ação que outros filmes tomariam um longo tempo. Neste aspecto, o cineasta e sua trupe de efeitos e fotografia acertam bem, mas na história...

É até pecado dizer que o roteiro de Besson trabalha com uma “pseudociência”. Isto não é seu maior problema, pelo contrário, ele pode usar isso à vontade, desde que nos retribua com algo bem calcado naquilo que tomou para si. Sem ligar para isto, o cineasta insiste em diálogos rasos e pouco significantes, amostrando ainda mais a densidade milimétrica de sua obra. Tudo precisa ser explicado ao mínimo dos detalhes, que o diga Morgan Freeman aparecendo de cinco em cinco segundos para explicar sua hipótese científica de como um ser humano viveria com seu cérebro 20, 40, 60 ou 100% ativo.

Da mesma forma, vê-se um desperdício enorme na montagem do longa. Nos primeiros minutos, Julien Rey e Besson investem em uma montagem indagante e que intercala o momento em que conhecemos Lucy e seu parceiro Richard com imagens numa selva. Inteligente. Minutos depois, a “evolução” da protagonista devido ao estímulo da droga TEM que ser explicado por Morgan Freeman dando a porra de uma aula na França. Por que, Besson? Por quê? 


Se não fosse por Scarlett Johansson, Lucy ficaria completamente apagada durante toda a projeção (ainda que a fotografia de Thierry Arbogast tratasse de usar paletas ainda mais fortes). A atriz consegue segurar bem a personagem, mas Besson ataca novamente. Num determinado momento do filme, Lucy se pergunta do que deve fazer com todo aquele poder. Creio que a melhor colocação para isto quem nos dá é Richard Roeper, do Chicago Suntimes: “eu não sei, pense numa cura para o câncer ou numa fonte artificial, barata e saudável de comida para o mundo. Pelo menos nos diga quem matou JFK!”. É.

3/10
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Lucy - França 2014 - Direção e roteiro: Luc Besson - Com: Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik-Choi e Amr Waked.
 
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