quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Crítica - O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos

 

Em 2013, nos despedimos de A Desolação de Smaug com um seco corte no ameaçador dragão. O que ele fará com aquele pobre povo? O que os anões farão agora que ele saiu? Cadê a porra do Gandalf? A Batalha dos Cinco Exércitos retoma a história exatamente de onde seu predecessor a deixou e o gancho estabelecido funciona bem. Por outro lado, o plot que envolvia Smaug regaçando com tudo é pouco utilizado pelo roteiro e, pra falar a verdade, deveria ser deixado lá no segundo filme mesmo. Quando o longa que fecha esta trilogia finalmente engata, vemos que muitas outras coisas também deveriam ser deixadas em outro lugar. 

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos traz uma carga considerável de subtramas desinteressantes ao espectador – ou pelo para aquele não tão fã do universo. Para começar bem, temos Alfrid, um personagem completamente descartável e que não acrescenta em nada para o filme. Interpretado medianamente por Ryan Gage, Alfrid é o tipo de cara que você sempre pensa que “agora vai, vou até prestar mais atenção nesse maluco”, mas nada acontece, era só pra te encher o saco por um bom tempo mesmo. E lá pro meio, Gandalf retoma toda aquela questão com a Galadriel e nos presenteia com um momento quase psicodélico em O Hobbit. Infelizmente, o desejo de Jackson e sua trupe de estabelecerem conexões com os filmes passados faz o filme tomar menos tempo com aquilo que ele se comprometeu anteriormente: o caso Smaug. 


Como antecipado, a invasão do querido dragão toma pouquíssimo tempo do longa, colaborando em nada para aquilo que estava por ser finalizado no segundo. Grosso modo, A Desolação de Smaug não possui um fim declarado, tendo colhões para prometer um baita desfecho adiante.  Apesar do gancho funcionar, não há tensão na invasão de Smaug, ocorrida logo no início do filme, tudo acontece de uma vez e num piscar de olhos. Um tiro no pé dado pelo próprio cliffhanger estabelecido no segundo longa. 

Mas não é apenas de tropeços que tenta se sustentar a obra que fecha a trilogia de Bilbo. O confronto final, a tão esperada Batalha dos Cinco Exércitos, é muitíssimo bem construído por Jackson. Apesar de não receberem o devido cuidado em certas ocasiões, os personagens são trabalhados de forma a preparar todo o pano de fundo para a tal batalha. Bilbo, que por si só já é uma figura, é explorado em cenas precisas para que entendamos certas minúcias do confronto, graças também à ótima atuação de Martin Freeman. Para se aproximar do que acontece dentro dos grupos e dos conflitos ali já existentes, Peter Jackson usa e abusa de câmeras mais paradas e planos fechados. Já os planos gerais, as câmeras cintilantes e a montagem mais dinâmica caracterizam os épicos confrontos. 

Visualmente lindo, A Batalha dos Cinco Exércitos ainda não supera os filmes anteriores no que diz respeito ao uso do 3D, mas acerta bastante quanto aos efeitos digitais nas batalhas e nas criaturas. Novamente, a Weta se mostra como um dos grandes estúdios para este tipo de produção. Na trilha sonora, Howard Shore não apenas relembra grandes composições que fizera para O Senhor dos Anéis, como pontua muito bem os momentos-chaves da trama. 


Terminada a trilogia, percebe-se como foi um pouco falha e ambiciosa demais a ideia de transformar um curto livro em três longos filmes. Tramas arrastadas, plots desnecessários e até personagens que não precisavam sequer ser citados. A Batalha dos Cinco Exércitos compensa por seu terceiro ato bem estruturado e pela continuidade do bom uso dos efeitos. Como discorrido acima, seu roteiro passaria um pouco longe de ser o responsável pelos verdadeiros méritos da obra.

Mas como é preciso é preciso lembrar que Peter Jackson nos levou de volta à Terra-Média sem que houvéssemos implorado de joelhos para que o fizesse, não há dúvidas de que, ainda que com seus diversos problemas, O Hobbit foi uma experiência interessante. Nos lembraremos de acompanhar aquela boa aventura de Bilbo no primeiro longa e a batalha final ficará em nossas cabeças por um tempo. Por estas e outras, ainda valeu pela experiência, PJ. 

7/10

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O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (The Hobbit: The Battle of the Five Armies) - Nova Zelândia/EUA 2014 - Direção: Peter Jackson - Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro e J.R.R. Tolkien (livro) - Com: Martin Freeman, Luke Evans, Richard Armitage, Orlando Bloom, Evangeline Lilly, Ian McKellen, Aidan Turner e Manu Bennett
 
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