quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Crítica - Garota Exemplar

 

Chato que sou ao ver qualquer coisa de David Fincher, tive o prazer de ter toda esta frescurite trucidada por Garota Exemplar. Não é por menos, a história de Gillian Flynn é uma das mais incríveis que meu tempo me deixou acompanhar este ano. Não são nem as reviravoltas ou os personagens complexos os principais responsáveis por me deixar pasmo nesta terça-feira à noite na qual escrevo este breve texto, mas a forma como Fincher nos faz sentir esta história em toda sua intensidade.

Amy Dunne (Rosamund Pike) desaparece no dia do seu aniversário de casamento, deixando o marido Nick (Ben Affleck) em apuros. Ele começa a agir descontroladamente, abusando das mentiras, e se torna o suspeito número um da polícia. Com o apoio da sua irmã gêmea, Margo (Carrie Coon), Nick tenta provar a sua inocência e, ao mesmo tempo, procura descobrir o que aconteceu com Amy. [Sinopse do AdoroCinema]


Imagine quantas diferentes emoções você consegue sentir ao ver um filme, agora pense nas distintas formas como um diretor pode trabalhar sua história. Enquanto o primeiro ato de Garota Exemplar nos remete a um caso policial/mistério à la Twin Peaks, há, em seu decorrer, estonteantes sequências que parecem ter saído dos mais tensos momentos de Breaking Bad. Mas é tudo o mesmo filme - e a cena final faz questão de nos apontar isso. Demorei, no mínimo, uns 30 minutos até ser fisgado pelo trabalho de Fincher, mas quando fui, não houve tempo para que eu pudesse recusar a possibilidade desfrutar o belíssimo desenvolvimento daquele roteiro. 

Comentando suavemente as cenas em que aquele mistério trilhava pelos flashbacks e pela narração de Rosamund Pike, a trilha sonora magnífica da dupla Trent Reznor e Atticus Ross fazia questão de ser pesada em momentos nas quais era exigida (ou seria ela quem ditava estes momentos devido a sua forte pegada? Eu seria um extremo idiota se colocasse um exemplo). Em atuação, fico até sem jeito de falar que, sim, Ben Affleck arrebenta. Pra falar a verdade, fico mais impressionado do que sem jeito mesmo, o ator consegue capturar toda as facetas do desequilibrado e confuso Nick. Já Rosamund Pike, que também não tem lá papéis de grande destaque em sua carreira, é uma das melhores surpresas que o filme pode proporcionar. A forma como a britânica carrega sua personagem é assustadora, merece todos os prêmios e indicações.

A experiência de ter assistido a Gone Girl foi excelente, acredite, mas me senti extremamente mal ao final do filme. David Fincher consegue extrair toda a essência de seus personagens e o desenvolvimento da história dá até calafrios. E isso assusta por si só. Não satisfeito, seu aprofundamento em Amy, vivida por Rosamund Pike, é a verdadeira cereja do bolo. Ou seria o veneno que nos fará refletir a que ponto chega a cabeça daquele ser humano que gostaríamos de entender?

10/10
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Garota Exemplar (Gone Girl) - EUA 2014 - Direção: David Fincher - Roteiro: Gillian Flynn - Com: Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patric Harris, Tyler Perry, Carrie Coon, Kim Dickens
 
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