domingo, 7 de dezembro de 2014

Crítica - Boyhood: Da Infância à Juventude

 

Um garotinho, um pré-adolescente, um adolescente, um jovem adulto, etc. Normalmente, estas são as etapas posteriores ao nascimento de um indivíduo do sexo masculino. São interessantes? Talvez, depende do que você julga como interessante. Linklater já nos ensinou que tudo pode ser interessante, basta ver a partir da abordagem favorita do cineasta: a natural.

Sabe quando um filme nos leva a um momento passado naquela história e vemos o protagonista mais jovem, criança? Se os filmes de ficção em si mesmo já trazem diversos outros empecilhos que nos distanciam de acreditar na veracidade daquilo (quando é este o objetivo), este tipo de salto temporal tem que ser bem feito. Não que Linklater tenha feito Boyhood com os mesmos atores durante os mesmos doze anos apenas para tentar fazer algo mais verossímil. Não. O cineasta faz isso porque conhece seus atores e sabe que aquilo funcionaria.

É apostando nos diálogos triviais e prosaicos que o roteiro percorre todos estes anos do amadurecimento de Mason. É fácil acreditar naquela história, compramos logo de cara. Ethan Hawke evolui ainda mais como ator à medida que seu personagem adquire cabelos brancos, assume um bigode de responsabilidade. O queridinho de Linklater não poderia ser o ator mais adequado para a situação. Mas a naturalidade em encarnar um personagem que o acompanhou e o acompanharia por mais alguns anos até a finalização do filme não são características inerentes a Hawke, Boyhood tem um elenco de peso. Nos remoemos de ódio pelo professor Bill Welbrock (Marco Perella) não pelo simples fato de ele ser um personagem bem desenvolvido e encaixado.

Quanto à Mason, não é difícil se sentir como um intruso durante a experiência de acompanha-lo e, por consequência disso, conhece-lo tão bem. Quando já estamos quase nos despedindo do personagem, quem diria que víamos o pequenino Ellar Coltrane deitado no chão ao som de Coldplay há quase três horas?

Se foram doze minutos ou doze anos, não interessa. Se foram US$ 4 milhões ou 400, quem se importa? O que nos leva a assistir a um filme de Richard Linklater é a certeza de que, terminado o filme, vamos querer continuar vivendo em seus filmes pelo resto de nossas vidas. Espera, já fazemos isso.


10/10

-

Boyhood: Da Infância à Juventude (Boyhood) - EUA 2014 - Direção e roteiro: Richard Linklater - Com: Ellar Coltrane, Ethan Hawke, Patricia Arquette e Lorelei Linklater
 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos