segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Tirando a poeira de Alien³

 

Eu, na pouca vivência que tenho assistindo a ficções científicas e fantasias espaciais, considero "Alien, o Oitavo Passageiro" um dos filmes mais redondos que já vi desta pegada. É uma pena que este terror denso, frio e cruel tenha rendido continuações tão meias-bocas. Alien³ não apenas se encontra nas grandes porcarias que se originaram do primeiro filme, como é prova concreta de que fórmulas e ambientações devem, sim, ser mudadas em prol de uma boa obra. 

Após enfrentar o maior desafio desde a entrada do inescrupuloso alien em sua vida, a tenente Ripley (Sigourney Weaver) encontra-se vagando a esmo no espaço acompanhada de Bishop II (Lance Henriksen) e de outros que sobreviveram. Devido a um problema ocorrido em sua nave, Ripley cai em um planeta onde se estabeleceu uma colônia penal de segurança máxima. Lá, quando ela menos esperava, o ser que a acompanhou dá as caras novamente. 

O resgate do tom adotado nos filmes anteriores funciona muito bem no início de "Aliens³". Os créditos entrecortados com o que andou acontecendo enquanto nos afastamos do longa precedente são frios e carregados de uma aura macabra. Quando sua nave finalmente cai em terra, somos apresentados a personagens bobos e a uma trama que faz questão de se apoiar na fórmula anterior. 


Clemens (Charles Dance) é o médico boa pinta que tem seus mistérios e vai acabar dormindo com nossa protagonista. É até interessante, se não fosse um tanto quanto subutilizado pela trama, que sempre o coloca submisso e bobão. Os outros, seja o ultrarreligioso fodão Dillon (Charles Dutton) ou os demais prisioneiros, são jogados de lado pelo roteiro que pouco se interessa em focar nos personagens secundários. 

O roteiro de David Giler, Walter Hill e Larry Ferguson também peca ao não trazer nada de novo ao universo estabelecido na franquia. Pelo contrário, aposta na mesma fórmula de criar o suspense e apresentar o plot. Ao final, foi apenas mais uma historinha para completar o ciclo começado lá atrás. Para se ter uma ideia de como a obra foi carente de alguém experiente, a cena que traz o alien à história é engraçadinha, bobinha. Numa montagem bem elaborada por Fincher, vê-se um paralelo vida/morte quando o ser está prestes a aparecer pela primeira vez, mas aquele bichinho digitalizado saltitante avacalha tudo. Ver que este cresce absurdamente em pouquíssimos dias é tão desapontante quanto. 

Por falar em Fincher, o estreante diretor se mostra pouco capaz de conduzir as sequências de ação nas quais é mais exigido. Numa cena, os prisioneiros agarram Ripley para cometerem atrocidades com a moça. Subitamente, Dillon aparece por trás de um deles para meter-lhe uma paulada (no sentido literal, é claro). Me desculpe, Fincher, ainda demoraria para que você aprendesse a fazer algo do tipo, mas esta cena foi mais Trapalhões do que qualquer outra coisa. 


No mais, Alien³ se mete em tantas outras trapalhadas que fica até difícil avaliar de forma séria e objetiva como se sai o terceiro filme da franquia. Infelizmente, não foi a melhor das ideias colocar idealizadores ainda pouco experientes num projeto do peso que tem qualquer coisa que ostenta o nome da série.

[NÃO RECOMENDADO]
 
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