quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Tirando a poeira de Batman Begins

 
Meu conceito acerca de Batman Begins aumenta conforme revejo, por diversas vezes, o primeiro filme do reboot do homem-morcego. Ainda que eu saiba que tudo pode ir água abaixo com Batman e Superman: Alvorecer da Justiça, o que Nolan e Goyer fizeram é digno de uma observação profunda para que as posteriores representações do personagem e de seu universo não sejam uma bela bosta. Dessa forma, analisar o estabelecimento da trilogia é fundamental.

Marcado pelo assassinato de seus pais quando ainda era criança, o milionário Bruce Wayne (Christian Bale) decide viajar pelo mundo em busca de encontrar meios que lhe permitam combater a injustiça e provocar medo em seus adversários. Após retornar a Gotham City, sua cidade-natal, ele idealiza seu alter-ego: Batman, um justiceiro mascarado que usa força, inteligência e um arsenal tecnológico para combater o crime. [Sinopse do AdoroCinema]

Muito se diz sobre a trilogia ter dado um tom mais verídico aos acontecimentos e façanhas dos personagens. Até concordo com a afirmação, porém, por mais inteligentes que sejam os conceitos científicos, tecnológicos e práticos adotados pelo roteiro, o que mais chama a atenção é como isso é feito nos personagens. Bruce Wayne não é apenas um milionário putinho com o que aconteceu aos pais e que resolve combater o crime do nada. Ele tem suas motivações, o símbolo escolhido também, este passa a ser um ideal. E quando, com o primeiro protótipo do uniforme, Bruce sai para conversar com Gordon e deve saltar de um prédio, é o peso do símbolo que ostenta que o faz cair, não apenas o do uniforme. O herói ascende quando o protagonista consegue o carregar, até lá, tudo depende de seu amadurecimento. Christian Bale se desenvolve com seu personagem, fazendo uma das interpretações mais verdadeiras de Bruce Wayne/Batman.


Na atmosfera azul e fria da fotografia de Wally Pfister, a trilha sonora faz questão de acentuar a então descoberta de Bruce por seu ideal. Nos momentos do desenvolvimento do personagem, Zimmer faz questão de não destacar demais aquilo que pretende comentar na trama, mas quando convém ao compositor embalar as corridas do tumbler nas sujas ruas de Gotham, Hans não decepciona. Diferente do que viria a acontecer em O Homem de Aço, a existência de uma música-tema não é aquilo que faz o alemão insistir em martelá-la na cabeça do espectador (ainda que por lá isto não seja mal feito), ela, sim, existe em Batman Begins, mas chega aos poucos até aparecer com toda sua força no momento mais propício.

De todas as características e semelhanças que nos remetem a Superman: O Filme, a primeira a ser percebida é a quantidade de atores de renome no elenco. Bale, Michael Caine, Liam Neeson e Gary Oldman já chamariam a atenção até demais, mas ainda sobra espaço para Katie Holmes, Rutger Hauer, Morgan Freeman e por aí vai. Apostar em atores experientes fez com que o filme tivesse atuações memoráveis. Enquanto Katie Holmes retira um pouco da “mocinha indefesa” presente em Rachel com sua sensibilidade em trazer profundidade à personagem, Liam Neeson deixa Ducard pouquíssimo caricato frente à sua ótima atuação. Tais acertos rendem relações muito mais humanas no filme, algo que falha bastante quando os filmes de Nolan as requerem (Interestelar é uma exceção).


Há alguns dias, Christopher Nolan disse algo como “cena pós-créditos não é coisa de filme sério”. Concordo em parte, até porque filmes que não se levam a sério e têm como propostas fazerem graça de si mesmos não são, obviamente, filmes sérios. Ainda bem que Batman Begins é um filme sério.

10/10
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Batman Begins - EUA 2005 - Direção: Christopher Nolan - Roteiro: David S. Goyer, Christopher Nolan e Bob Kane (personagens) - Com: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Cillian Murphy e Gary Oldman.
 
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