quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Tirando a poeira de No Distance Left to Run

 

Blur, um dos maiores expoentes do movimento conhecido como britpop, é uma banda londrina formada por Damon Albarn, Graham Coxon, Alex James e Dave Rowntree. Após 15 anos no topo de paradas e lotando shows e festivais, o conjunto teve seu fim em 2003. O tempo passou, as brigas também e os britânicos se reuniram em 2009 para uma turnê que rendeu uma apresentação no festival Glastonbury. No Distance Left to Run, documentário dirigido por Dylan Southern e Will Lovelace, faz um resgate histórico do Blur a partir do relato de seus próprios integrantes, prestes a voltarem à estrada.

É juntando os fios do passado com os do presente e do futuro (como bem colocou Rodrigo Quinan, no Filmow) que o documentário funciona quase que perfeitamente. Toda a história da banda é recontada a partir das entrevistas realizadas em tempo presente (2009, no caso), com as lembranças de cada um da banda. Damon se recorda da “influência” da heroína para compor Beetlebum, já Graham se lembra de um momento anterior ao reencontro em que se escondia num parque para não encontrar Damon. São de momentos assim que se sustenta No Distance Left to Run, apostando na subjetividade de seus entrevistados para dar vida à história que pretende contar.

E talvez seja este o motivo de um dos principais momentos daquela trama (o embate Oasis x Blur) não ter sido bem explorado pelo documentário. Admito que neste momento escrevo o texto vestindo uma camisa da banda manchesteriana, mas não é birra minha dizer que senti falta do Oasis no filme. A briguinha foi um dos maiores charmes do britpop! Tudo bem que Damon fala de quando ele dedicou um prêmio conquistado pelo Blur aos amigos Gallagher, mas isso não é o suficiente. Ainda assim, isto não estraga os diversos acertos de seus idealizadores, que até exploraram outras situações do movimento britânico em outros momentos do longa.


Há de se destacar, em todos os 104 minutos de projeção, o cuidado com o qual foi tratado o material mais antigo da banda. Apresentações raríssimas, entrevistas, shows fechados e clipes aparecem com qualidade de som e vídeo inacreditável. E como se trata de um documentário sobre músicos, Southern e Lovelace encaixam a obra musical de forma a dar significação e ritmo ao documentário. Vale lembra que nenhum dos grandes sucessos da banda é esquecido, até mesmo quando eu pensava que Universal ficaria de fora, o filme me surpreendia mais uma vez e me tacava aquela linda música.

As vastas e densas entrevistas trazem uma carga “realista” muito forte ao filme. Adentramos na personalidade de cada integrante, entendemos o porquê de cada um dos momentos pelos quais passou a banda e por aí vai. Conhecemos desde os rapazes mais jovens ainda limitados à gravadora aos quarentões que hoje tocam para rememorar os bons momentos vividos nos anos 90. O ápice é quando vemos Damon Albarn chorando em pleno Glastonbury. A cena em questão resume o filme muito melhor que qualquer sinopse.


Tão gostoso como ouvir Parklife ou The Great Escape, No Distance Left to Run é um dos grandes documentários de música da atualidade. Capturando a essência de uma banda que deixou sua marca no século passado e hoje retorna à nostalgia e à promessa de novos voos, o filme conta história, empolga, diverte e emociona.

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