segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Crítica - O Juiz

 
O Juiz é, provavelmente, um dos filmes mais indecisos que vi este ano. Provavelmente nada, com certeza. Sem saber se vai para o drama ou para a comédia, o longa dirigido por David Dobkin até apresenta bons momentos envolvendo os dois gêneros pelos quais o cineasta deve manter um apreço absurdo, mas peca ao superestimar seu plot principal, que deixa os 141 minutos de filme muito cansativos.


Hank Palmer (Robert Downey Jr.), um famoso advogado de cidade grande, volta ao local onde cresceu para o velório de sua mãe. Lá, Hank acaba descobrindo que seu pai (Robert Duvall) é apontado pela polícia como um dos suspeitos de um assassinato. Ele, então, decide defender o pai, que foi ausente na sua criação, no tribunal. [Sinopse adaptada do AdoroCinema]

Como antecipado, o roteiro de Nick Schenk e Bill Dubuque (feito a partir de uma história idealizada por Dobkin) é um tanto inconsistente e seu plot é carregado ao extremo. O filme começa com uma inteligente montagem envolvendo objetos cuja importância para a trama ainda é desconhecida pelo espectador. A cena que vem em seguida é de Robert Downey Jr. mijando num outro advogado. Sim, mijando.

São esses desmedidos momentos que deixam o filme completamente confuso quando este tenta se desenvolver melhor. Ou você acha normal fazer piadinha com seu irmão quando se está a um metro de sua mãe morta? Isso, vale lembrar, acontece depois que o personagem interpretado por Robert vê sua falecida progenitora pela primeira vez. Eu poderia fazer um texto só listando exemplos como este, mas vocês se cansariam de ler “vômito”. Caso não tenha nojinho, vá ver o filme que você verá pelo menos uns quatro casos de coisas estranhas saindo da boca.


Pano de fundo para a conflituosa relação pai-filho de seus protagonistas, o julgamento é um dos momentos mais esperados de todo o filme. O resultado são longuíssimas sequências que pouco têm a acrescentar e a introdução de personagens desnecessários, como o péssimo advogado que Joseph Palmer contrata para defendê-lo. Porra, mermão! Você é um juiz, vai me dizer que não sabe escolher advogado?

Enxugado, o filme poderia, sem medo de ser feliz, não passar de 1h40m.

David Dobkin, que dirigiu filmes como Penetras Bons de Bico e bater ou Correr em Londres, parece pouco confiante ao trabalhar câmera e iluminação em seus cenários. A primeira apresenta momentos pouco inspirados e se movimenta com extrema previsibilidade, sempre enaltecendo demais momentos quiçá dispensáveis e dando um clima pouco coerente com o filme. Já a iluminação não foge muito desta incoerência citada, apostando num contraluz batido. 

Só falei mal do filme? Ok, falemos então de Robert Downey Jr. e Robert Duvall, dois excelentes atores que, por mais superficialmente desenvolvidos sejam seus personagens, conseguem segurar as pontas durante toda a projeção. É entregado a Downey aquele papel com o qual já estamos acostumados a ver o ator trabalhar. Um coroa meio malandrão, sempre fazendo piadinhas, mas que não deixa que a unidimensionalidade de seu personagem o torne limitado. Já Robert Duvall encarna um velhinho chato pra caceta e fechado, defesas criadas por este para esconder o misto de sentimentos e problemas internos.


Poucas atuações são capazes de levar nas costas um filme com tamanha quantidade de deslizes. Por melhor que seja, Downey Jr. apenas deixa O Juiz menos sofrível do que já é. Se fosse mais preciso, encontrasse um lugar propício para trabalhar os gêneros aos quais se propõe a tratar e desse mais profundidade a seus personagens secundário (e sem todo esse machismo que o permeia), quem sabe esta dramédia funcionasse melhor.

[NÃO RECOMENDADO]
 
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