quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Crítica - BoJack Horseman (1ª Temporada)

 

BoJack Horseman (Will Arnett) é um cavalo ator que fez bastante sucesso nos anos 90 protagonizando a série Horsin’ Around. Após cair no anonimato e no vazio existencial de uma celebridade hollywoo(d)iana, BoJack tem como planos escrever uma autobiografia e quiçá voltar a vida de ator encarnando um de seus ídolos.

Criada por Raphael Bob-Waksberg, BoJack Horseman é uma série animada que teve sua primeira temporada lançada pela Netflix em agosto deste ano. Apesar da recepção mista e pouco calorosa da crítica, o seriado caiu nos braços dos espectadores do serviço de streaming e uma segunda temporada chega ano que vem.

A mistura de humanos com seres antropomórficos (lembrando que tem também cachorro, pinguim e tudo que você imaginar) funciona para que ótimas sacadas sejam criadas e metáforas se estabeleçam no decorrer da história. BoJack, por exemplo, mora com Todd Chavez (Aaron Paul), um drogadinho meio vagabundo que se mudou para sua casa misteriosamente. Já Princess Carolyn (Amy Sedaris) é uma gata que namora nosso cavalesco protagonista. Uma gata, literalmente.

Todos esses personagens se apresentam um pouco bobinhos ou superficiais demais no começo, mas são desenvolvidos de forma brilhante e chegam a carregar boa parte da série. Os momentos de glória que BoJack teve nos anos 90 começam apenas com os flashbacks, só dando aquele gostinho. Até que um único episódio toma quase os 25 minutos para contar uma trama envolvendo o tempo de Horsin’ Around. Ao final, 12 episódios não foram nada. Queremos saber mais sobre o que rolava com o pequeno Todd, as aventuras atrapalhadas do charlatão Mr. Peanutbutter (Paul F. Tompkins) e por aí vai...


De tão cuidadoso com suas criações, Raphael Bob-Waksberg (idealizador e principal roteirista da série animada) transforma BoJack Horseman numa obra que vai além da comédia, retratando sarcástica e ironicamente os dramas vividos por cada personagem apenas para não deixa-los depressivos e/ou tristes demais. Densos e meticulosamente trabalhados, os personagens passam longe de serem tratados unidimensionalmente.

A série é inteligentíssima em suas sacadas. Se estamos falando de celebridade e Hollywood, é claro que não faltariam... celebridades e Hollywood, ora. Andrew Garfield, Naomi Watts, Quentin Tarantino e outros são motivos de piadas e situações bizarras na série, garantindo ótimos momentos. Sem falar, é claro, do próprio humor que é feito com os personagens originais de BoJack Horseman, com piadas perspicazes e inteligentes.


Surpreendente é a melhor palavra que pude encontrar para descrever BoJack Horseman. Levado por minha curiosidade em saber como se sairiam Arnett e Paul na dublagem (se saíram bem demais, só pra constar), mergulhei na série e não consegui mais sair. Personagens densos e cativantes, uma história nonsense e divertida, ótimas sacadas, etc. Netflix, you did it again.

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