domingo, 5 de outubro de 2014

Breve comentário sobre Raul - O Início, o Fim e o Meio

 

Se um filme se destina a falar sobre um músico e sua música é óbvio que ele falará sobre um músico e sua música, certo? Bom, parece bem óbvio mesmo, o problema é que muitos documentaristas ainda não aprenderam essa lição. Como resolver? Bem, basta assistir, repetidas vezes, a Raul - O Início, o Fim e o Meio, uma verdadeira aula de como idealizar, fazer e montar um documentário que se destina a falar sobre um músico e sua música.

IFM não é beeem sobre um (01) músico. Raul era muitos, era o maluco beleza, o pai carinhoso, o amante, o revolucionário, o hippie, o roqueiro que não se esquece das raízes nordestinas, o cinéfilo, etc. Raul era complexo. Ainda é. Walter Carvalho sabia disso e fez um documentário que aborda as diversas facetas do artista e as coloca num lindo invólucro musical e histórico. A pesquisa e o resgate de documentos e arquivos preenchem este que é um dos documentários mais completos quando o assunto é rock brasileiro. Espera, rock? Mas Raul Seixas tocava rock? Um deles tocava.

E quando eu pensava que não mais seria surpreendido pelo filme, Carvalho e Pablo Ribeiro ousavam até não poderem mais na montagem. Em algumas canções seixianas, os caras misturavam diferentes apresentações e o resultado é um verdadeiro espetáculo. Nestas ocasiões, o tratamento em imagem e som é fantástico, creio que um dos responsáveis tenha sido Evandro Lima, da mixagem.

Se Paulo Coelho e Caetano Veloso são ótimos fios condutores para a história e representam figuras importantes na vida de Raul, senti que Zé Ramalho ou deve ter falado muita merda ou devia estar passando mal. Qual o motivo dele ter aparecido do nada? Por que ele está nos créditos como entrevistado? ENTÃO POR QUE ELE FICOU DE FORA? Vai saber, mas ainda não é um problema que te fará chorar incontrolavelmente, longe disso. O filme compensa com a boa utilização de vários outros. Entrevistas boas? Não, sensacionais.

Assim como as várias companheiras e os diversos parceiros musicais que teve Raul, passamos a conhecer algumas versões do artista. Interessante mesmo é ver como até o próprio filme não se conforma com o resultado que obteve. Como diria Marcelo Hessel, do Omelete, ao final, "o filme também quer um Raul pra si.".
 
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