terça-feira, 9 de setembro de 2014

Crítica - Sweet Tooth [Parte 1]

 
Há uma década, o Flagelo assolou a humanidade como um incêndio descontrolado em uma floresta seca e matou bilhões. As únicas crianças nascidas após o evento são híbridas, uma nova espécie que mescla características humanas e animais, e é perseguida. Gus é uma dessas crianças ameaçadas, um menino com uma alma dócil, uma queda por doces e traços de cervo.

Mas garotos como ele têm a cabeça a prêmio. Quando seu lar é atacado por caçadores inescrupulosos, um homem misterioso e violento aparece para lhe salvar. O nome dele é Jepperd e ele promete levar o jovem até a mítica Reserva, um paraíso para crianças híbridas. [Sinopse feita pela Panini].


Em novembro de 2012, a Panini lançava o primeiro volume da nova aposta da Vertigo: Sweet Tooth, escrita e desenhada por Jeff Lemire. A revista vinha com uma proposta bem inovadora, pois usava o apocalipse (um tema que está em grande relevância nos últimos anos) de uma forma diferente com o surgimento dos híbridos após a doença conhecida como Flagelo.

O primeiro volume não me agradou muito. A trama, que possui uma bela sinopse, não é tão bem desenvolvida quanto deveria. A série começou com algumas referências desnecessárias a outras HQs do gênero e os protagonistas (Gus e Jepperd) não eram tão bem trabalhados. Além disso, a arte de Lemire causava bastante estranhamento, com traços que chegavam a ser bizarros.

O primeiro volume de Sweet Tooth me desanimou um pouco, mas mesmo assim continuei apostando as minhas fichas no trabalho de Lemire. Resolvi, então, ler o volume dois ("Cativeiro"), que me agradou bastante e mostrou uma grande evolução em relação ao primeiro.


A trama conta com um desenvolvimento bacana de Gus e Jepperd e há o aparecimento de personagens que serão fundamentais para o desenrolar da história. O ponto forte de "Cativeiro" está nos flashbacks de Jepperd, que são bem interessantes e tornam a afeição por esse personagem maior.

Este segundo volume também ajudou a entender porque a arte de Jeff Lemire é tão estranha. Isso se deve ao fato do mundo apresentado na HQ ser bizarro e confuso, por isso o autor utilizou esses traços esquisitos que deixam os ambientes e os personagens bem estranhos.

Outro ponto forte da continuação são as revelações presentes por aqui. Alguns fatos descobertos pelo leitor serão de grande importância no futuro e farão com que, ao ler cada história, você tenha grande interesse em ler a próxima.

O volume 3, que foi lançado em maio do ano passado, é sensacional. A HQ traz um desenvolvimento muito bacana das relações entre os principais personagens. O Dr. Singh ganha destaque com seus flashbacks e começa a se tornar um personagem muito importante, assim como Gus e Jepperd.

Algumas dúvidas que eu tinha no começo da série vão sendo reveladas a partir desta edição, que também conta com muitas reviravoltas e com um vilão que será essencial para o desenvolvimento da trama.


Além de contar com um roteiro bem trabalhado e que deixa o espectador aflito esperando pela próxima edição, "Exércitos Animais" conta com uma bela arte, que mostra as cenas de ação com grande perfeição. Cenas essas, que estão em uma boa dose na revista, e que são mostradas de forma violenta em algumas partes, mostrando o quão brutal o universo de Sweet Tooth pode ser.

Sem dúvidas, o terceiro volume é um dos meus preferidos. Cada capítulo é surpreendente e traz algumas reflexões acerca da revista. Jeff Lemire conseguiu fazer uma mescla, a partir deste volume, entre um mundo que pode ser belo e doce algumas vezes (ao retratar a união de Gus com seus amigos híbridos) e bastante violento em outras.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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