segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Crítica - Jogo do Rei

 
O “jogo do rei” é uma brincadeira que consiste em seguir as ordens de um participante previamente escolhido, ou sorteado, como “Rei”. Tudo muda quando o “Rei” desta partida começa a exigir ações bastante exageradas e prometer punições severas aos que se negarem a cumpri-las.

Todo contato entre Rei e os participantes se desenvolve via mensagens de texto no celular, o que mantém o anonimato daquele por trás deste jogo cruel. Será que os alunos do 1° ano B do Colégio Tamaoka conseguirão cumprir todas as ordens? Quem será o Rei por trás dessa “brincadeira” macabra? [Sinopse retirada do Skoob].

Dentre os vários mangás lançados mensalmente no Brasil, fica bem difícil escolher um em específico. "Jogo do Rei" me chamou mais a atenção em relação a outros pela capa e sinopse. Logo adquiri os cinco volumes da série, que de certa forma me surpreenderam.

Os dois primeiros volumes são excelentes. O roteiro é trabalhado de uma forma eficiente e o suspense funciona muito bem, deixando o leitor sempre aflito esperando pela próxima parte. O mesmo se pode dizer do 4º e 5º volumes que também são bem trabalhados e possuem um ótimo suspense. O único que desagrada totalmente é o volume 3, no qual todo o mistério acerca do Jogo do Rei é mal trabalhado para se transformar em um thriller sem sentido.

Os diálogos, apesar de serem bobos em certas partes, funcionam bem e contam com uma eficiente tradução da equipe da JBC. Nobuaki Kanazawa conseguiu utilizá-los na medida correta, tanto nas cenas comuns, quanto nas cenas em que o foco é no suspense.

Um dos grandes triunfos da obra é a resolução do mistério: "Afinal, quem é o rei?". A forma como ocorreu essa resolução é muito boa, pois só acontece no fim da história, deixando o leitor cada vez mais aflito. A explicação também é bastante plausível e bem trabalhada.

Outro acerto da obra foi em seu desfecho. Os autores conseguiram fechar o mangá com chave de ouro, com um final excelente que o deixará refletindo acerca de toda a trama. As quatro últimas páginas, em especial, foram as mais bem trabalhadas do volume 5.

Eu li algumas críticas fazendo uma grande relação da arte de Hitori Renda com a de Takeshi Obata (Death Note e Bakuman). O fato é que ainda não tive a oportunidade de ler algum mangá de Obata e o que posso dizer é que a arte funciona bem em alguns momentos e falha em outros. Os traços de ambientes são muito bem feitos, mas a caracterização de alguns personagens deixa a desejar.

Apesar de acertar em alguns pontos na trama, Kanazawa erra em outros. Os personagens, com exceção dos principais (Nobuaki, Naoya e Chiemi) são mal desenvolvidos e não apresentam boas motivações. Em algumas partes, há o aparecimento de personagens que nunca haviam dado as caras e se tornam importantes de uma hora para outra. Isso incomoda bastante.

"Jogo do Rei" apresenta altos e baixos em suas 5 edições. Tudo bem que a trama apresenta alguns problemas e a arte poderia ser melhor. Porém, é um mangá que deve ser lido pelo fato de ser inovador e contar com um suspense bem desenvolvido.

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