quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Crítica - Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos

 
A experiência que tive com Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos difere em muito das que tive com os demais filmes de Woody Allen. Enquanto eu assistia aos cultuados Meia-Noite em Paris e Rosa Púrpura do Cairo e não achava aquilo tudo, conferi este renegado filme de 2010 e me diverti bastante. Estrelado por Naomi Watts, Josh Brolin e Anthony Hopkins, o longa possui personagens cativantes e que carregam bem a história.


Na trama, Alfie (Anthony Hopkins) se divorcia de Helena (Gemma Jones) para buscar sua juventude perdida, na forma da acompanhante profissional Charmaine (Lucy Punch). Filha de Alfie e Helena, Sally (Naomi Watts) também se vê infeliz no casamento com Roy (Josh Brolin) e apaixona-se por seu chefe na galeria de arte onde trabalha, Greg (Antonio Banderas). Roy, por sua vez, escritor que nunca conseguiu superar o sucesso de seu primeiro livro, se deixa levar pela beleza da vizinha Dia (Freida Pinto). [Sinopse retirada do Omelete]

Como é quase impossível não comparar com as obras de Allen, devo salientar que a construção dos personagens de “Você Vai...” me lembrou bastante o trabalho realizado pelo diretor em Manhattan. Os conflitos existentes entre os personagens e a forma como a decisão de cada um interfere naquele grupo (nas famílias, por aqui) nos mostram como o cineasta continua forte ao trabalhar com o desenvolvimento e a relação entre suas criações.

A complexidade destes é ressaltada pelo eficientíssimo elenco. Naomi Watts (Cidade dos Sonhos) até não está tão bem como em seus trabalhos anteriores, diria até que ela se encontra travada, mas Josh Brolin (Onde os Fracos Não Têm Vez) atua de forma memorável. No mais, destacam-se Hopkins e Gemma Jones, por mais que seus personagens possam parecer um tanto unidimensionais no decorrer do filme.

Por meio de planos-sequências bem longos, os diálogos são construídos e performados com uma naturalidade tremenda. O voice-over é um pouco mal realizado e nem sei se seria tão necessário assim, mas é ele que nos introduz à epígrafe que traduz o filme em sua essência.


Por fim, o tal “tall dark stranger” não é apenas o desejo de Helena após se divorciar de Alfie, mas um buraco a ser preenchido por cada um ali presente. Com um roteiro conciso e sacadas inteligentes, Woody Allen nos presenteia com mais um interessante filme sobre a complexidade das relações amorosas e amigáveis que nos permeiam dia após dia.

[MUITO RECOMENDADO]
 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos