quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Crítica - Vertigo Especial #2 - Fantasmas e Viagem no Tempo

 

Gosto de ler Vertigo não apenas pelo fato de as histórias serem mais adultas e fugirem da mesmice dos heróis, até porque eu não me incomodo em ler HQs mais “bobinhas” e não me desprendo de uma boa história do Superman. Acontece que pegar um encadernado (ou mensal) do selo também é sempre uma experiência curiosa: você não está preparado para aquilo. Cada uma das diversas obras ali compiladas possui sua própria linguagem e você ainda não “sabe” lê-la. E quando isso acontece já se foi aquele universo e você se encontra mergulhando em outros. Pena que em Fantasmas e Viagem no Tempo isso só compensa mais na primeira parte.

Lançada pela Panini em julho deste ano, a HQ é a segunda edição da série de encadernados especiais do selo (o primeiro foi Atire e Outras Histórias). Enquanto a primeira parte da revista apresenta histórias com fantasmas, bizarrice (o que já é comum) e terror, a segunda tem como proposta embaralhar a cabeça do leitor com paradoxos e curiosas tramas. Quem leu o primeiro encadernado perceberá, logo de cara, um cuidado maior em se tratando do fato de ser um especial. A revista traz uma organização muito melhor das histórias e Fabiano Denardin faz um ótimo trabalho como editor.

Dentre as histórias que se destacam na primeira metade, Meu fantasma chegou no dia em que comecei no emprego de datilógrafo (Al Ewing e Rufus Dayglo) dá vida àqueles fantasmas que surgem em nossas vidas por não termos feito o que queríamos. Você tinha o sonho de ser um pianista famoso? Bom, saiba que seu fantasma pianista anda te atrapalhando por aí. Fora de quadro (Cecil Castelucci e Amy Reeder) também vale a pena, quem ler se lembrará muito da última cena d’O Iluminado, inspiração clara. Ainda vale citar A Moça de Preto (Gilbert Hernandez), que te deixará um pouco cagado se a leitura ocorrer à noite, e Fantasma de aluguel (Geoff Johns e Jeff Lemire), que, bom, é Geoff Jonhs, né.

Como deu pra sacar, a primeira metade do especial traz alguns minutos bem válidos de uma leitura interessante e fluida. Por outro lado, Viagem no Tempo só salva mesmo por Tomado pelos demônios (Tom King e Tom Fowler), que traz um começo sensacional e um desenrolar foda, e R.I.P., de Damon fucking Lindelof e Jeff Lemire. Nunca pensei que Lindelof fizesse quadrinhos, foi uma boa surpresa. Se bem que Ela não está lá (Peter Milligan e M.K. Parker) é interessante também, suscita umas questões boas.


No mais, Fantasmas e Viagem no Tempo mostra uma evolução da Panini nos especiais do selo Vertigo e nos dá boas perspectivas das futuras publicações desta. Tudo bem que quase metade das histórias ali colocadas não sustenta a revista, mas vale a pena por aquelas que o fazem. 

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