segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Crítica - Superman e a Legião dos Super-Heróis

 

Não sou desses que ficam de briguinha defendendo Marvel ou DC, mas a editora de Superman sempre me chamou mais atenção pela endeusada forma como seus heróis são desenvolvidos. Devo admitir que ainda não conhecia a Legião dos Super-Heróis, para os leigos trata-se de um supergrupo de personagens pouco conhecidos da DC criado por Otto Binder e Al Plastino, em 1958. Apesar de suas histórias anteriores não serem lá grandes coisas, como me disseram, as aventuras deste grupo são conhecidas pelo uso frequente de fantasia, ficção científica e, o mais interessante, viagem no tempo. Por acaso, este último dita a ótima HQ de Geoff Johns e Gary Frank.

Respondendo a um pedido de socorro, Superman viaja ao século XXXI para salvar a Legião dos Super-Heróis. Mas, nesse futuro, o legado do Homem de Aço foi distorcido e usado para iniciar um período de terror em todo o cosmo, um período em que a Legião é considerada uma organização criminosa, uma guerra entre os Planetas Unidos e a Terra é iminente e as ações de “manutenção da paz” da xenofóbica Liga da Justiça da Terra pioram as coisas cada vez mais… Para resolver a caótica situação, Superman terá de resgatar a Legião e, com ajuda de seus integrantes mais valorosos, restabelecer sua interminável batalha pela justiça, pela verdade… e pelo modo de vida intergaláctico! [Sinopse retirada da Comix]


O que Geoff Johns fez com a Liga da Justiça dos Novos 52 é algo tão admirável que virou o roteiro do mais novo longa animado da equipe (LJ: Guerra). Assim como Chris Claremont e outros grandes quadrinistas de heróis, Johns costura as conexões entre os personagens tão bem que nem parece que aquilo tudo é desculpinha para juntar personagem. Os diálogos são maduros, a história tem um ritmo fluído e a viagem no tempo é usada com primor. Ah, vale lembrar que tudo se passa num universo pra lá de paralelo, sem nem ligar para a zona de conforto do leitor, o roteirista entrega sequências emblemáticas e um final curioso.

Por outro lado, Gary Frank não faz um trabalho a altura de Johns, mas seu desenho, mesmo que conte com algumas expressões bizarríssimas, entrega o que a HQ propõe. O Superman do artista é uma grande homenagem a Christopher Reeve, não tem nem como olhar para o sisudo, mas carismático, rosto de Clark e não se lembrar do ator. Frank acerta nas sequências de ação e no uso dos personagens nas batalhas. O que citei por último remete bastante ao que faz Bryan Singer com a franquia X-Men, dando o espaço e a utilidade para cada poder/personagem nas lutas.

Por falar nos mutantes, “Superman e a Legião dos Super-Heróis” utiliza muitos conceitos da série da Marvel. A quantidade de heróis introduzidos à história é algo absurdo, nem chance de lembrar de pelo menos metade, porém, é divertidíssimo acompanhar suas origens e a forma como se organizam durante as seis partes deste arco.


Já me disseram para largar os quadrinhos de heróis pelo alto nível de maniqueísmo deste produto de consumo estadunidense. Mas os bons quadrinhos do gênero vão além de uma história bobinha com heróis de fantasia, possibilitando profundas leituras daquilo que abordam. A obra de Johns e Frank é uma destas, comentando sobre xenofobia, preconceito e distorção histórica por meio de uma história pra lá de divertida.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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