domingo, 24 de agosto de 2014

Crítica - Guardiões da Galáxia

 
Enrolei quase um mês para ver Guardiões da Galáxia. Antes que aqueles que sabem da minha queda pela DC falem que não vi antes por ser algo desconhecido da Marvel, deixo claro que foi por falta de tempo mesmo. De qualquer forma, foram duas horas bem divertidas.


Peter Quill (Chris Pratt) foi abduzido da Terra quando ainda era criança. Adulto, fez carreira como saqueador e ganhou o nome de Senhor das Estrelas. Quando rouba uma esfera, na qual o poderoso vilão Ronan, da raça kree, está interessado, passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Para escapar do perigo, Quill une forças com quatro personagens fora do sistema: Groot, uma árvore humanóide (Vin Diesel), a sombria e perigosa Gamora (Zoe Saldana), o guaxinim rápido no gatilho Rocket Racoon (Bradley Cooper) e o vingativo Drax, o Destruidor (Dave Bautista). Mas o Senhor das Estrelas descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de mudar os rumos do universo, e logo o grupo deverá proteger o objeto para salvar o futuro da galáxia. [Sinopse lá do AdoroCinema]

Vi muitos falando que este destoa muito dos demais filmes do estúdio por seu tom mais descontraído e aventureiro, o que contrastaria demais quando comparado com os longas sérios e adultos da Marvel. Em parte eu até concordo, mas dizer que os filmes do universo (com exceção do último Capitão América) tenham esta densidade toda é conversa fiada. O que Guardiões da Galáxia faz é trazer o característico humor de Vingadores e afins e incrementar esta “descontração” com uma pegada aventuresca e divertida.

Dada esta proposta, o filme se desenvolve muito bem num estilo similar àquele utilizado pelos grandes clássicos do gênero. Nicole Perlman e James Gunn constroem uma história redonda, sem excessos ou buracos aparentes. Por mais que, em certos momentos, os personagens tenham sua essência jogada fora em prol de algumas concessões claramente comerciais, o roteiro é, no geral, bem escrito.

Na pilha de filmes como Star Wars e até mesmo dos clássicos spielberguianos, James Gunn dá vida a uma aventura frenética e muito envolvente. É como rever um breve suspiro daquele escapismo que emergiu com força no final da década de 1970. Para sustentar esta hipótese há o amado walkman de Peter Quill, que, além de servir como metáfora para o apego e amor pela Terra que o personagem possui, ainda toca as músicas da época citada. Para dar ainda mais vida àquele universo colorido, a montagem de Fred Raskin, Hughes Winborne e Craig Wood é bastante dinâmica, tanto na construção de sentido diante dos planos frenéticos quanto para ritmar a aventura.

Por outro lado, os erros do longa ofuscam em muito aquela que poderia se tornar uma das obras mais marcantes do subgênero. Ainda que as atuações sejam boas (destaque a Chris Pratt e Bradley Cooper) e a dinâmica entre os personagens interessante, não há como deixar passar a forma cagada como são desenvolvidos os vilões e demais personagens da trama. Tudo bem que estamos do lado dos Guardiões e acompanhar suas miniaventuras seja bem divertido, mas não foi uma boa deixar esses bots do CS na versão final do longa. Outra coisa que decepciona um pouco é o peso emocional (que tem muita cara de concessão comercial, como disse antes) presente em momentos-chave do filme. Mas isso dá até pra deixar passar.


Nunca li nada relacionado a Guardiões da Galáxia e creio que essa seja a situação de muitos que também foram ver o filme. No geral, a obra conseguiu me prender bem e proporcionou momentos de diversão com uma aventura singela e eletrizante. Os erros do longa provam que a Marvel ainda não sabe o peso certo que certas sequências merecem, mas o futuro é promissor.

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