quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tirando a poeira d'O Planeta dos Macacos (2001)

 
Transformo-me em duas pessoas diferentes quando o assunto é Planeta dos Macacos, uma é extremamente fã da série e a outra é a mesma que analisa diversos outros filmes. Este ano, “O Confronto” me fez separar, à força, estas duas personalidades para que a crítica do filme ficasse pronta. Porém, nunca pensei que re-assistir àquele excelente filme de Tim Burton fosse desagradar tão profundamente estas duas pessoas citadas...


Tudo começa quando uma nave tripulada por humanos e chimpanzés tem um de seus componentes primatas levado por uma estranha nuvem espacial. Na tentativa de salvar o chimpanzé, o Capitão Leo Davidson (Mark Wahlberg) vai atrás e acaba entrando no mesmo local. O que Leo não esperava era cair num planeta habitado por primatas evoluídos e civilizados.

Mudar o que foi criado por Pierre Boulle ou usar conceitos do filme original não seriam erros imperdoáveis, desde que isso trouxesse características interessantes para o do filme. Infelizmente, o roteiro de William Broyles Jr., Lawrence Konner e Mark Rosenthal é vergonhoso em tudo que tenta apresentar. Se bem que ele até começa com uma boa sacada envolvendo o macaquinho que logo mais sairá da nave, mas isso é logo apagado pela extrema forçação de barra que carrega todo o restante do filme. Um exemplo claro disso tudo é Leo, que age com extrema naturalidade ao não se surpreender, nem em um pouco, com macacos civilizados e inteligentes. Neste aspecto, a atuação nada inspirada de Wahlberg atrapalha ainda mais.

Com o desenrolar da trama, “Planeta dos Macacos” diminui gradativamente a credibilidade depositada e consegue cagar em quase tudo. Para não revelar demais, citemos apenas os momentos (leia-se todos) em que não damos a mínima para o que está acontecendo por ali. As situações são forçadas, a pseudociência é vergonhosa e as “reviravoltas” me fariam, se eu tivesse assistido a este filme no cinema, pedir meu dinheiro de volta. Segundo estudos realizados recentemente, a polêmica cena final seria ainda mais polêmica se a metade do público não tivesse dormido.


Quer mais? O desenvolvimento de personagens é deplorável. Como tripulante de uma nave que realiza estudos em chimpanzés, é inadmissível o fato de Leo confundir símio com macaco, o que serve apenas para as péssimas piadinhas e situações criadas pelo roteiro. No mais, nem os primatas para salvar alguma coisa, unidimensionais e bobos, os animais estão ali apenas para provocar aquela risada nervosa por parte do espectador. Helena Bonham Carter não possui um pingo de carisma e sua personagem é facilmente esquecível, já Tim Roth não tira do túmulo ao qual já estava fadado Thade.

Tim Burton realiza um de seus trabalhos mais sonolentos. O diretor não traz o clima necessário para o desenrolar da trama provocar algum interesse no espectador, apostando em sequências arrastadas quando o assunto é apresentação e desenvolvimento dos símios e sendo extremamente genérico nas cenas de ação. Os personagens voando em meio aos confrontos é de gosto duvidoso, tome cuidado com os fãs de Burton.

No mais, nem para o longa se safar visualmente. A fotografia de Philippe Rousselot é tão escura e artificial que nem reparamos a fundo o quão mal feitos são os primatas do filme. Se quiser comprar as barbas, calvícies e vestimentas dos símios nós podemos parar por aqui, mas aceitar que existem macacos PUNKS naquele planeta é, novamente, algo de extremo mal gosto. Agredir a família brasileira por tão pouco é inadmissível, Burton.


A música exagerada de Danny Elfman não poderia descrever melhor o filme de 2001. Caricato e forçado, “Planeta dos Macacos” distorce os elementos originais para compilar ideias fracas e elementos carentes de significações. Devemos agradecer aos diversos deuses espalhados universo afora por aquele reboot ter parado por ali mesmo.

[NÃO RECOMENDADO]
 
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