quinta-feira, 10 de julho de 2014

Tirando a poeira de Piteco - Ingá

 

O povo de Lem se vê obrigado a migrar porque o rio próximo à aldeia secou. Mas o valente caçador Piteco decide não ir, pois precisa resgatar Thuga, que foi raptada pela tribo dos homens-tigre. [Sinopse feita pela Panini Comics].

A quarta edição da Graphic MSP fechou o primeiro ciclo da série com uma revista do famoso "homem-das-cavernas" do Mauricio de Sousa. O autor escolhido de "Piteco-Ingá" foi o paraibano Shiko, que é famoso por algumas revistas independentes (como Café Espacial) e que já participou do projeto MSP Novos 50, mostrando a sua versão do Astronauta.

Apesar de possuir uma história comum, o roteiro é muito bom. Isso se deve á utilização da mitologia e do folclore brasileiro, deixando a trama recheada de seres fantásticos conhecidos, como o Curupira (que por aqui se chama Arapó-Paco) e o Boitatá (M-Buantan). Além disso, Shiko soube utilizar tudo isso mesclando com o local onde nasceu. O título Ingá, por exemplo, se relaciona com uma pedra com este mesmo nome que realmente existe na Paraíba e que se assemelha à pré-história, como os personagens da obra.

Além de desenvolver um roteiro com várias diversidades, Shiko também nos proporcionou uma lição bem importante: a união. Se Pavor Espaciar falhou em não nos trazer algo do tipo, este é o grande mérito de Ingá. A questão da união é mostrada desde o começo, quando um personagem diz que os povos eram unidos e por isso eram fortes, mas quando se desuniram, se tornaram fracos. 

Outro grande mérito da revista é sua arte. Se a obra possui um roteiro bem diversificado, a arte não faz diferente. Algumas páginas apresentam vários quadros mostrando imagens pequenas e detalhadas, enquanto outras têm poucos quadros, mas mostram algum personagem com um detalhamento melhor. Mesmo com toda essa diversidade, o visual é sensacional, com traços muito bem feitos tanto dos personagens quanto das paisagens. A colorização também merece destaque, a HQ diferentes  e vibrantes cores.

Se tratando dos personagens, houve um grande respeito do autor em relação aos originais. Tudo bem que a maioria não se parece muito com os do Mauricio, mas eles se relacionam de forma parecida com as HQs originais. Piteco, Thuga, Ogra, Beleléu e os Homens-Tigre sempre fizeram parte das histórias.


"Piteco-Ingá" é uma revista excelente. Com um roteiro bem desenvolvido e uma arte muito bem feita, a revista é, em minha opinião, um dos projetos brasileiros que mais merecem destaque na atualidade. Isso porque Shiko soube mesclar a cultura fantástica brasileira com o estado em que nasceu e ainda nos mostrou que a união sempre deve existir entre os diferentes povos.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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