domingo, 13 de julho de 2014

Crítica - O Espelho

 
Assistir a “O Espelho” foi uma experiência muito esquisita. De um lado, havia um roteiro mal escrito, com personagens que não cresceram, clichês mal utilizados e uma previsibilidade absurda. Do outro, estava a eficientíssima direção de Mike Flanagan e sua forma inteligente de contar aquela história. Depois de descobrir que o rapaz é o responsável pelos dois aspectos fica ainda mais difícil analisar a obra.


Tim (Brenton Thwaites) e Kaylie (Karen Gillan) são dois irmãos traumatizados pela inexplicável morte dos pais. Quando Tim sai de um hospital psiquiátrico, após anos internado, ele tem certeza de que a causa da tragédia familiar é um grande espelho que acompanha a família há séculos. Cercados por fenômenos paranormais, os dois tentam provar que o objeto é o verdadeiro responsável pela sangrenta história de seus ascendentes. [Sinopse retirada do AdoroCinema]

Tempo livre e dinheiro são coisas que, se não forem bem aproveitadas, possibilitam que você faça a maior merda de sua vida. Para deixar tudo registrado e devidamente filmado, Kaylie prepara um milionário estúdio dentro do próprio quarto em que se encontra o tal espelho. Potentes filmadoras, MacBooks e iMacs são apenas a parte tecnológica da coisa, porque lá ainda tem comida para meses, um estoque de água não refrigerada e por aí vai. Porém, Tim é dos nossos. Ao chegar naquela bagunça, o rapaz não poderia estar menos descrente em relação à paranoia da irmã. Infelizmente – e os motivos já devem ter aparecido na sua cabeça – o jovem se deixa levar por aquela loucura toda e logo se encontra imerso naquela palhaçada.

E não estou sendo chato, os personagens são porcamente desenvolvidos e mal aproveitados mesmo. Além de suas histórias pessoais possuírem diversos furos (como a despreocupação do marido de Kaylie), não há motivações que expliquem aquela incansável busca dos irmãos. Se ainda resta reclamar do que Flanagan e Howard aprontaram no roteiro, devo lembrar dos engessados diálogos que permeiam toda obra. Por favor, nem os saudosos desenhos de Scooby-Doo, se a gente pode continuar no mesmo gênero, possuíam falas tão explicadinhas e infantis.


Porém, não é só de escorregões que vive o mais novo trabalho de Mike Flanagan. O cineasta acerta em cheio ao mesclar flashbacks de seus personagens aos momentos mais intensos da trama. O terceiro ato possui o maior número destes flashes e, conforme os caminhos da história se afunilam em um final, a importância da utilização torna-se cada vez mais significativa. Assim como ocorre em sua montagem, que é pontual ao fazer as transições pretendidas e muito inteligente nas sacadas que apresenta. Vale lembrar que a esta também é realizada por Flanagan.

Outro ponto a ser destacado é a boa direção de fotografia de Michael Fimognari, que aposta numa atmosfera sombria ao ressaltar toda a obscuridade da casa por meio de sua paleta de cores. Os enquadramentos também surpreendem bastante e fazem muito sentido se levarmos em conta a proposta dos flashbacks e das transições. A câmera acompanha aqueles acontecimentos com um certo tom de descoberta, vagando pelos cenários e explorando os objetos ali inseridos, mas se desespera, assim como o espectador, nos momentos de medo e tensão. Também contribuem para este aspecto os efeitos sonoros, muito convincentes e orgânicos.


Como deu pra sacar, “Oculus” é uma obra que, se não fosse tão mal escrita, poderia ter se tornado um grande filme de terror. Felizmente, ainda há os aspectos visuais e sonoros que ao menos dão um bom acompanhamento ao roteirinho. Se serve de consolo, Karen Gillan e Brenton Thwaites até tentam salvar em seus papeis, mas quando pouca coisa ajuda...

[NÃO RECOMENDADO]
 
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