segunda-feira, 28 de julho de 2014

Crítica - Guia politicamente incorreto da História do Mundo

 

Enganam-se aqueles que pensam que a História é uma ciência imutável. Enganam-se ainda mais os que pensam que a História que aprendemos em sala de aula nos ensinos médios da vida, ou que conhecemos através do bate-papo do dia-a-dia, é a versão mais completa e correta. Muitos fatos históricos possuem algo além da versão oficial, que muito depende da interpretação dos historiadores com base nos documentos históricos que foram descobertos até o momento e estão disponíveis para análise/consulta dos especialistas.

Cintos de castidade na Idade Média? Eles nunca existiram – pelo contrario, manuais da época diziam que o prazer sexual era essencial à saúde das mulheres. Milhares de crianças foram exploradas nas fabricas inglesas do século 19? Está certo, mas é interessante lembrar que a Revolução industrial, pela primeira vez, tornou o trabalho infantil desnecessário. E lembra aquela história de que as guerras e a miséria da África são consequências das fronteiras artificiais criadas pelos europeus? Há quase 30 anos historiadores e economista africanos deixaram de acreditar nela. Abaixo da superfície, a história não é tão simples quanto aquele professor militante costuma nos ensinar. Depois do sucesso do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e Guia Politicamente Incorreto da América Latina , é hora de finalizar o trabalho. É hora de jogar tomates nos equívocos sobre a história do mundo. [Sinopse retirada do Skoob]

A série brasileira de livros “Guia politicamente incorreta da História” é uma grata surpresa para aqueles que assim como eu consideram de suma importância saber as verdades por trás dos relatos populares ou mesmo oficiais. Eu já havia lido há alguns anos o “Guia politicamente incorreto da história do Brasil”, de Leandro Narloch. Um livro fantástico que nos conta quem realmente foram Zumbi dos Palmares, Santos Dumont, Carmem Miranda e outras personalidades brasileiras, e desmistifica muitos outros relatos de nossa história nacional. Recomendo!

Na mesma linha investigativa li recentemente “Guia politicamente incorreto da história do mundo”, também de autoria de Narloch. Com uma escrita extremamente fluida, uma pitada muito bem-vinda de bom-humor e sarcasmo na medida certa, que deixa a leitura – que poderia ser chata, especialmente para os muitos leitores que se traumatizaram com a História ensinada nas escolas – muito mais prazerosa.

Como o título diz os fatos históricos – muito bem documentados, diga-se de passagem – e a interpretação deles mostrados na obra são politicamente incorretos. Podem não agradar a muitas pessoas, defensoras de personalidades públicas, versões da História, ideologias, etc., que aqui são desmistificados, impiedosamente destrinchados e cujas falhas são expostos. Madre Teresa de Calcutá e Gandhi, por exemplo, que se tornaram símbolos de bondade e busca pela paz mundial, são mostrados como seres humanos cheios de falhas e capazes de atos de caráter duvidoso (para dizer o mínimo) - atos esses ignorados nas versões politicamente corretas da História trazidas até nós.


Para quem não tem medo de saber a verdade, este é um livro muito bom, bem escrito, bem embasado e, de quebra, divertido. Autores que conseguem levar para o público leigo assuntos que são tabu, como Física, História, Filosofia, Religião, com qualidade, profissionalismo e simplicidade, como Narloch faz, devem ser aplaudidos.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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