terça-feira, 1 de julho de 2014

Crítica - O Grande Hotel Budapeste

 

Uma vez imerso num filme, a volta torna-se complicada. Uma vez imerso num filme de Wes Anderson, o mundo real pode aparentar um pouco assustador (ou seria o contrário?). De qualquer forma, o oitavo longa-metragem do texano é um de seus trabalhos mais autorais e demonstra seu amadurecimento na estética e linguagem que o consagraram.

Sem pudor, a obra arremessa o espectador ao ano de 1968 e à fictícia República de Zubrowka, país localizado na Europa e que abriga o tal do Grand Budapest. É lá que conhecemos a história de Mr. Moustafa (F. Murray Abraham) e sua intensa relação com o hotel.

Assim como em outras obras do cineasta, o roteiro trabalha com uma história principal dividida em partes. Tudo começa quando uma garota abre seu livro “O Grande Hotel Budapeste” e inicia sua leitura num parque. Minha teoria, que obviamente não vale para os demais trabalhos, é de que tudo o que é passado ao espectador não passa de uma interpretação imaginativa da garota. Muito expressivo e marcante, fica mais do que claro que o filme não é uma representação da realidade ou leitura verossímil dos momentos representados. Dada esta proposta, o roteiro desenvolve seus inúmeros personagens dando a atenção devida a cada um deles. Outra boa característica é seu ritmo, que não entedia em momento algum.




Como citado, é muito grande o número de personagens. Interpretando estes, há desde os conhecidinhos dos filmes de Wes, como Owe Wilson e Jason Schwartzman, até Ralph Fiennes e outros. Fiennes, inclusive, que atua memoravelmente como o protagonista M. Gustave, um dos mais velhos responsáveis pelo hotel. No mais, também vale destacar a promissora Saoirse Ronan e o mirim Tony Revolori.

Do início ao fim, Anderson utiliza um tom fabuloso que pontua cada aspecto da produção. As cores vivas e marcantes são mais frequentes das que coloriam seus trabalhos anteriores. Além de darem o tom característico do cineasta, evocam ainda mais a ambientação da época pretendida, até porque grande parte do filme se passa, na verdade, nos anos 30. Tratando-se deste aspecto, não há do que reclamar, há uma primorosa direção de arte (Stephan O. Gessler) que se alia ao eficiente design de produção de Adam Stockhausen. Milena Canonero é a responsável pelo figurino, que se encaixa ao filme e não poderia estar mais esplêndido.

Ainda é importante lembrar da direção de fotografia de Robert D. Yeoman, outro colaborador de longa data do diretor. Os planos estritamente simétricos se misturam com a vontade de Wes em colocar a câmera para rolar e voar pelas suntuosas instalações do hotel. O resultado são enquadramentos e planos que exploram toda a beleza visual dos cenários. As músicas de Alexandre Desplat são excessivas e comentam até demais o filme, ou seja, nada que fuja de sua proposta fabulesca.



Como bem disse Bruce Ingram, do Chicago Sun-Times, aqueles que acham os filmes de Wes Anderson amaneirados e artificiais demais provavelmente não serão convertidos com “O Grande Hotel Budapeste”. O longa é Wes Anderson em sua forma máxima, sem tirar nem pôr. Se é bom? Com certeza, só não vale falar que é ruim só porque você não gosta de sair de sua zona de conforto.

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