quinta-feira, 17 de julho de 2014

Crítica - Juntos e Misturados

 

Após o falecimento de sua esposa, Jim (Adam Sandler) passa a cuidar da casa e de suas três filhas. Já Lauren (Drew Barrymore) vem de um relacionamento que acabou com uma traição por parte de seu marido Mark, o que fez com que os dois se separassem e ela cuidasse de seus dois garotinhos. Em um encontro às cegas, Jim e Lauren têm ali a oportunidade de se conhecerem melhor. Eles só não esperavam que a coisa fosse acontecer de uma forma tão estranha.

O terceiro filme a juntar Sandler e Barrymore se esforça para trazer o “humor característico” de Rob Schneider, colaborador frequente do protagonista. Enquanto que sem Rob já temos um número excessivo de piadas apelativas e extremamente vazias, com ele eu nem conseguiria imaginar o tamanho do estrago. Por bem ou por mal, o diretor Frank Coraci consegue contornar as horríveis piadas que o roteiro oferece ao desenvolver os personagens de forma a trazer “Juntos e Misturados” um pouco à realidade.

A estrutura utilizada por Ivan Menchell e Clare Sera é a mesma de sempre. Sabemos que Jim e Lauren, de início, não se darão muito bem e que isto, atrelado à extrema forçação de barra dada às coincidências, se resolverá com o tempo. Nas quase duas horas de projeção, o roteiro não se preocupa em apresentar nada novo e tal descaso incomoda bastante. Não há problema em usar modelos ou clichês, mas é a partir do momento em que estes são bem utilizados que é demonstrada a habilidade de seus realizadores em trabalhar com tais ferramentas. Por aqui? Nada demais.

Reforçando o que já disse, as piadas não são, nem de longe, o ponto forte do filme. A menos, é claro, que dois rinocerontes transando ou ouvir o barulho de alguém urinando forem coisas engraçadíssimas. Me corrijam se eu estiver errado, mas se isso for comédia eu posso me matar. Por outro lado, há um único momento (que também é mostrado no trailer) em que eu esbocei uma breve risada, trata-se da cena em que uma das filhas de Jim aparece toda bonitona e a cabeça de cada um toca uma música diferente. Para ferrar de vez, esta piada é repetida mais a frente e, mesmo complementada, já perdeu toda a graça. O fato de Jim tratar suas filhas como a maioria dos pais cria seus garotinhos é, na proposta do filme, aceitável, mas as piadas feitas em torno disso não têm mais graça alguma depois da primeira.


Assim como fizera em “Click”, Frank Coraci consegue desenvolver uma interessante relação entre os personagens e deixar seus desenvolvimentos um pouco mais “críveis”. As aspas servem para ressaltar o que também acontece no filme do controle remoto. Apesar de ambas as obras contarem com uma história demasiada fabulesca e forçada, Coraci faz com que um pé se apoie na realidade, trazendo problemas e situações identificáveis ao espectador. O final é muito importante para que o diretor trabalhe este desenvolvimento, com uma sequência interessante e que mostra sua capacidade em consertar o que puder em filmes com roteiros tão bobinhos.

O bom trabalho com os personagens deve-se, em muito, às atuações. Não, elas não são ótimas, mas a química entre Sandler e Barrymore ajuda na relação existente entre eles. Adam Sandler não é tão ruim assim, e que atire a primeira pedra quem discordar de mim! Mas só atire a segunda se tiver assistido a “Punch Drunk Love”, de Paul Thomas Anderson. O grande problema é que o ator é muito mal aproveitado pelas furadas em que se envolve. E se nem ele faz questão de consertar isso, nada podemos fazer.

Visualmente, o longa é tão deprimente quanto “Gente Grande” ou “Como se Fosse a Primeira Vez”. Além de uma fotografia preguiçosa e que utiliza tons exagerados para qualquer coisa (que o diga a grande parte que se passa na África), ainda há a péssima montagem de Tom Costain. Tratando-se da construção de sentido a partir deste aspecto, Costain até acerta, mas o faz de maneira bastante amadora. As transições realizadas pelo editor são coisa de novela das sete, se bem que essas até melhoraram neste quesito.


“Blended” só não é o “mais do mesmo que se podia esperar de um filme de Sandler” pois traz um diferencial na direção. Não que Coraci faça milagres, ele apenas transforma tediosas duas horas em algo um pouco mais assistível. Ainda assim não se trata de um bom filme, suas piadas vazias e estrutura batida o limitam o suficiente para que isso não ocorra.

[NÃO RECOMENDADO]
 
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