quarta-feira, 25 de junho de 2014

Tirando a poeira de Turma da Mônica - Laços

 

No Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ) de 2013, Vitor Cafaggi se mostrava extremamente emocionado ao se dar conta do que se passava naquele momento. Não era pra menos, o mineiro de 36 anos dividia o palco com grandes quadrinistas brasileiros e afirmava estar trabalhando com o que realmente gosta. E se tem uma coisa que eu não me esquecerei tão cedo, é do momento em que Vitor chorava sem pudor e dava uma dica para todos: trabalhem com o que vocês amem de coração. A recomendação não é nova, Steve Jobs fez um discurso memorável em Stanford e até mesmo Jim Carrey deu a importante dica para formandos. Vitor, até onde sabemos, não foi um dos protagonistas de nenhuma revolução tecnológica ou é um ator memorável, mas realizou, ao lado de sua irmã Lu, um trabalho que traduz o real sentimento de amor por quadrinhos e pela criação de Maurício de Sousa.

A HQ, lançada em 2013, chegou de mansinho e logo se tornou um grande sucesso de crítica e público. “Turma da Mônica: Laços” dá continuidade ao selo Graphic MSP (que teve seu primeiro título comentado aqui) e realiza uma releitura da turminha mais famosa do bairro do Limoeiro. Na trama, Floquinho está perdido e a turma resolve se unir para encontrá-lo.

Percebe-se, logo de início, a pegada oitentista dos famosos filmes de aventura da década. Optar por algo semelhante a estes blockbusters não é nada subentendido, a dupla até pensou em colocar “Meninos Perdidos” no título da revista, uma clara referência ao longa “The Lost Boys”, de Joel Schumacher. O que se pode concluir é a excelente utilização de estruturas e apetrechos narrativos de tais filmes para a construção de uma história concisa e de leitura agradável. Há também diversas referências visuais a estas obras, ou vai dizer que a imagem do topo não tem um tom parecidíssimo com o clássico “Stand By Me”? 

O roteiro trabalha seus personagens com o devido respeito, mas não faz disso um empecilho para contar novas histórias e brincar com cada um deles. Provavelmente, você terá gostosas lembranças de sua infância ao passar por determinados trechos da obra. O que fica ainda mais evidente é que, num futuro próximo, a HQ dos Cafaggi remeterá ao mesmo sentimento.

A arte dos irmãos é belíssima de doer. Nada de detalhamento absurdo ou cores extravagantes saltando das páginas: o desenho é suave. Tão leve como manda a proposta, os traços lembram, como já dito antes, a animação francesa “Ernest et Célestine”. Uma cena especial e que fica na cabeça por um bom tempo é a do flashback de Mônica. Você pode chorar, só não o faça em cima das belas paginas da HQ.


Até o presente momento, “Laços” é minha preferida desta série de releituras. Assim como a maioria, a história me provocou uma certa nostalgia em relação aos personagens de Maurício e me senti homenageado ao finalizá-la. Se eu creio que alguma vá superá-la? Só se for sua continuação...

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