sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tirando a poeira de Astronauta - Magnetar

 

O Astronauta, personagem que singra o espaço sideral sozinho em sua nave há anos, visita uma galáxia distante para estudar um magnetar, uma estrela de nêutrons que possui um campo magnético estimado em 1 bilhão de teslas. Mas ele comete um erro que pode custar sua vida. Agora, com a nave danificada e sem comunicação, ele está “náufrago no espaço” e precisa encontrar uma forma de escapar antes de ser derrotado pela insanidade que insiste em tomar sua mente. E a saída pode estar em aliar a tecnologia aos ensinamentos de seu velho avô, há tanto tempo falecido... [Sinopse feita pela Panini Comics]

O selo Graphic MSP foi iniciado por “Astronauta - Magnetar”, revista que conta com roteiro e arte de Danilo Beyruth e cores de Cris Peter. A nova linha de releituras das criações de Maurício de Sousa não poderia ter começado melhor, a história de Beyruth alça aventuras espaciais com o cuidado que a temática merece e faz jus às aventuras do clássico personagem.

Se tem uma obra fora do eixo audiovisual que considero algo que possui características muito semelhantes às de Christopher Nolan, esta é, sem dúvida nenhuma, “Astronauta - Magnetar”. A forma adulta como o roteiro se apropria de seus temas e os flashbacks amarrados à trama ritmam a obra com uma pegada bem parecida com a do cineasta inglês. Você se lembra do “Por que caímos, Bruce?” da trilogia Batman? Por aqui, Beyruth também se apoia num ensinamento bastante simbólico na vida do protagonista intergaláctico. Ao questionar seu avô de como ele faz para mandar uma pedrinha ao rio e ela continuar pulando, a resposta não poderia ser mais densa. Ao final, assim como na trilogia do Morcego, esta ajuda nosso herói em sua ascensão.

“Chapinhando, ela vai mais longe. Voando livre, mas sempre ricocheteando a superfície” 



Você não precisa gostar, muito menos conhecer, o personagem clássico para apreciar a revista. Porém, ter um conhecimento prévio do Astronauta lhe renderá bons momentos ao reconhecer as referências realizadas pelo artista. Já se tratando de ciência, Beyruth contou com apoio acadêmico, o que teve um papel fundamental na contextualização da situação espacial como um todo. 

A bela edição da Panini realça ainda mais a qualidade dos desenhos da graphic novel. Ao final da história, as cores fortes de Cris Peter se misturam com o minimalismo e vastidão espacial que só o desenho de Danilo Beyruth poderia proporcionar. Isso sem falar dos bem desenhados personagens e do quão bem encaixados são estes na proposta da HQ. Também há um trabalho minucioso e notável no que diz respeito à composição dos cenários, que tem seu processo de criação muito bem explanado nos extras da revista. 

Mesmo que aborde outros temas no decorrer de sua trama, esta aventura espacial não deixa de falar, em momento algum, sobre a solidão. O espaço serve apenas de metáfora para que toda esta situação vivida pelo personagem se apoie em algo concreto e direcione este sentimento de forma mais natural. Devo salientar que um dos momentos mais brilhantes da HQ é a que retrata a rotina do Astronauta, pura genialidade. 


Como dito anteriormente, “Astronauta - Magnetar” inicia o selo Graphic MSP com quantos pés direitos tiver o ser andante com mais pés direitos. Danilo Beyruth e Cris Peter formulam uma revista densa, adulta e com ritmo de leitura e interpretação acessíveis a qualquer um. Que venha a continuação!

[MUITO RECOMENDADO]
 
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