segunda-feira, 30 de junho de 2014

Breve comentário sobre Deus e o Diabo na Terra do Sol

 
Dando uma passada em meus comentários e avaliações no Filmow, percebi que tem muita coisa ali que seria até bacana de replicar por aqui. Em minha mini-maratona de clássicos, "Deus e o Diabo na Terra do Sol" me deixou bastante pensativo e logo abaixo você confere um mini-review do filme.










Filme de 1964 com direção e roteiro de Glauber Rocha

O desespero de um homem sofrido num lugar abandonado por Deus (e por que não pelo Diabo?)
Manuel (Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes (Mílton Roda) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães). O casal se junta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim do sofrimento através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Porém ao presenciar a morte de uma criança Rosa mata o beato. Simultaneamente Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a serviço da Igreja Católica e dos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato. (Sinopse retirada do site) 
Manuel deposita todas as suas esperanças naquilo que mais aparenta salvá-lo, sem levar em conta os riscos ou consequências. Logicamente, não demoraria para que ele caísse no inferno da fé cega e na ilusão da justiça com as próprias mãos.

Glauber Rocha levanta uma série de reflexões e questionamentos que permanecem atuais e não deixa de contar uma boa história num contexto interessante. São tantas leituras e lados que se pode ter desta obra que esta já é um dos trabalhos mais vastos que vi em nosso cinema. Eu entendo que o diretor tenha se arrastado demais em determinadas temáticas, por mim o filme não passaria de 1h40m. Por outro lado, "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" demonstra que Rocha evoluiu muito se tratando de ritmo.

As atuações são esplêndidas, Geraldo Del Rey transmite todo o sofrimento de Manuel sem deixá-lo exagerado ou demasiado caricato. Do lado oposto ao drama do sertanejo, Maurício do Valle faz muito bem o papel que viria a consagrá-lo ainda mais em "Dragão...".

Por fim, vale citar a forma como a música dita os acontecimentos da narrativa e traz ainda mais significações à obra. Um western sensacional e brasileiro! Tomem essa, seus vira-latas!
 
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