quinta-feira, 12 de junho de 2014

Crítica - Como Treinar o Seu Dragão 2

 
[Devo ter exagerado no nº de adjetivos do texto abaixo, não coloque suas expectativas lá no alto!]

Devo ser sincero antes de minha pequena crítica: “Como Treinar o Seu Dragão” não me agradou. Para este e outros casos, costumo dizer que o filme possui uma excelente roupagem visual e sonora (o que, em hipótese alguma, seria mentira), mas peca por trazer um conteúdo fraquinho que dói. Por outro lado, seu sucessor corrige os erros e envolve o espectador do início ao fim. E sim, é DreamWorks e eu amei.


Após o período de adaptação, os vikings passam a conviver pacificamente com os dragões e a vida segue tranquila no vilarejo de Soluço. Tudo muda quando o personagem descobre, quase que ao mesmo tempo, uma caverna com diversos dragões e uma figura que quer usá-los para seu mordaz exército.

Dean DeBlois está de volta ao mundinho dos dragões e traz aquela famosa dinamicidade do filme anterior. Enquanto que o primeiro se mostrava fraco ao trabalhar com as criações de Cressida Cowell, por aqui a relação entre Soluço e seu pai amadurece, o protagonista tem um desenvolvimento interessantíssimo e o envolvimento do espectador com os personagens é algo admirável. O diretor acerta ao não saturar os momentos mais emocionantes, deixando tudo na medida certa para uma boa apreciação da obra.

Quando falei de DeBlois ser dinâmico, dou especial atenção às cenas de ação e outras que demandam uma maior movimento. Após demonstrar um ótimo trabalho em “Os Croods”, o diretor cria sequências lindíssimas com os dragões e faz a “câmera” viajar por planos extremamente imersivos. E sabe o que ajuda nesta imersão? O 3D, que é utilizado da forma correta e faz o ingresso mais caro valer a pena.


Outra característica a ser ressaltada é a forma como é feita a movimentação dos personagens. Há um trabalho minucioso que vai desde a criação de movimentos simples (como o momento em que Stoick pega um jarro) até as desesperadoras cenas em que o protagonista se vê em meio a uma queda. Banguela, que geralmente salva Soluço das situações citadas, está adorável como sempre. Esta relação entre o personagem e seu dragão tem seus momentos mais tocantes e sugere metáforas muito bonitas.

Também escrito por DeBlois (give this man an Oscar), o roteiro possui um timing eficaz. Há uma revelação relacionada à família de Soluço e isso coexiste com o plot principal, sendo as duas histórias bem interessantes do ponto de vista dramático. Este momento, para já emendar com outro aspecto que devo falar, traz um maravilhoso lugar ainda desconhecido pelo espectador.

Ao final, eu já me encontrava numa incansável torcida pelo protagonista e entendia o que o motivava a seguir em frente. John Powell, que também trabalhou no filme anterior, retorna à trilha sonora com suas pontuais e empolgantes músicas. Com algumas leve alterações e melhorias, o tema continua se encaixando muito à proposta da animação.


Em um ano com mais um furo da Pixar, “Como Treinar o Seu Dragão 2” substitui a gigante com esta excelente obra. O filme sabe trabalhar corretamente dada sua proposta e não decepciona. Que venham mais aventuras com o dragão mais bonitinho do cinema mundial.
 
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