quarta-feira, 18 de junho de 2014

Crítica - 13º Distrito

 

Em 2018, Detroit é uma perigosa cidade devido ao tráfico de drogas e aos altos níveis de violência. O detetive Damien Collier (Paul Walker) entrará disfarçado em Brick Mansions, área dominada pelo traficante Tremaine (RZA), para desarmar uma bomba escondida no local. Para isso, Collier contará com a ajuda de Lino (David Belle), ex-presidiário que tem seus próprios interesses e convicções a respeito da situação.

“13° Distrito” é um dos remakes mais estranhos dos últimos anos. Além de recontar uma história que teve seu último filme em 2009, o longa dirigido por Camille Delamarre ainda traz David Belle, o mesmo ator dos filmes originais. Como se já não fosse o suficiente, Luc Besson retorna para reescrever a história a fim de adaptá-la ao contexto de Detroit (ou seria inferno?).

O filme representa um grande esforço de seus idealizadores em estabelecer uma censura clara: você não deve pensar. Partindo desta premissa, as sequências iniciais não poderiam ser mais explicativas. Não que exista algo de errado em contextualizar o espectador, mas a forma como o roteiro nos apresenta a situação é deplorável. A inconsistência é característica marcante deste trabalho de Besson, que conta com um plot bobo e explicações muito forçadas para que haja alguma construção de sentido.

Eu ficava feliz nos momentos em que a trama principal era deixada de lado para que um drama pessoal fosse desenvolvido. A carga dramática depositada em Damien Collier chama atenção – e o próprio Paul sabe como carregar seu personagem -, mas fica clara, o tempo todo, a preguiça em criar algo decente para que conheçamos o protagonista. É sério mesmo que o máximo que vocês conseguiram foi colocar o avô do cara e seu problema com o cigarro?! Que ao menos o colocassem dentro de casa!


Assim como há o drama familiar de Collier, o personagem de David Belle é motivado a se juntar ao detetive para salvar sua namorada Lola, que foi pega pela trupe dos malvadões e se meterá em altas encrencas se algo não for feito. Mas não tem problema, ela sabe se virar e aquilo tudo é fichinha para esta perigosa latina. E bem, acho que já expliquei como isto é bem construído na trama.

Esqueçamos então da trilha sonora que ultrapassa a obviedade e até mesmo as transições que lembram aquelas minisséries policiais da Globo. E a ação? O filme começa com umas cenas de parkour bem arquitetadas e explorando os cenários, embora não haja sentido nenhum para sair pulando. O grande problema vem com o desenrolar da obra, que traz sequências genéricas e até o parkour perde, ainda mais, sua utilidade. Há momentos em que uma câmera lenta é utilizada...preciso mesmo falar disso?

Por fim, é importante citar como os personagens se apoiam em estereótipos batidos e porcos. Do pessoal malvadão de Brick Mansions só falou sair algo como “you ain’t gonna do no harm in ma neighborhood, nigga”. Do lado bonzinho, acompanhamos Cheech e Chong em suas aventuras e desventuras neste mundo corrompido pelo mal.


Foi duro aguentar todos os logos 90 minutos de “13º Distrito” e saber que não há nada que salve pelo menos, e eu disse pelo menos, trinta segundos. Feito nas cochas e pelas cochas, o filme só não é facilmente esquecível por ser marcadamente traumático.
 
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