segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tirando a poeira d'O Planeta dos Macacos (1963)

 

São muitos os que acreditam que “Planeta dos Macacos” é uma ideia original de Rod Serling. “Nossa, que história boa! Tinha que ser do cara que criou ‘Twilight Zone’.” Você não estará mentindo se o disser, o filme de 1968 é uma magnífica adaptação e tem muitos méritos. Mas o real planeta símio começou cinco anos antes e saiu da cabeça de Pierre Boulle.

Vagando pelo espaço, Jinn e Phyllis são surpreendidos por uma garrafa com uma carta. O manuscrito tem autoria do jornalista Ulysse Mérou, que, convidado pelo Professor Antelle, viajou a um planeta próximo a estrela Betelgeuse e lá encontrou uma civilização de macacos inteligentes. Os terráqueos passam por inusitadas situações em um planeta onde os humanos são tratados como meros animais irracionais.

A obra começa um tanto confusa ao usar uma disfarçada ciência em prol do desenvolvimento da história. Boulle enche a cabeça do leitor com termos científicos, explica demais o que acontece na nave e os primeiros capítulos se tornam um pouco cansativos. Quando os tripulantes chegam ao planeta Soror, a coisa enfim toma proporções mais agradáveis.


O livro não me causou tanto estranhamento porque eu conhecia suas adaptações e, de certa forma, já estava a par daquele universo. Por trazer um personagem que se encontra no mesmo questionador e curioso lugar do leitor, Boulle acerta em cheio com o protagonista. Se tem uma única coisa que incomoda é o fato de ele ter escrito uma gigante carta. No mais, as reações de Ulysse Mérou àquele novo mundo e o desenvolvimento de suas “descobertas” são pontos admiráveis da obra. É importante dizer que Nova (interpretada nas telonas por Linda Harrison) é peça fundamental na exploração das facetas do jornalista.

Se você está muito preso ao filme original e ainda não sabe se é uma boa ler o trabalho do francês, eis a excelente notícia: Cornelius e Zira estão lá! Além de importantíssimo para ambas as obras, o casal de macacos é de um carisma sem igual. Quem já viu os filmes sabe bem do que estou falando, quem ainda tá enrolando já pode saber que são tão bem trabalhados quanto os protagonistas.

Até agora eu não falei de outra coisa senão dos personagens, sabe por que isso é um bom sinal? Por mostrar a inteligência e habilidade do francês ao atribuir realismo às suas criações. Mas Pierre vai além, trazendo um universo fantástico em diversos aspectos. Se o desenvolvimento dos personagens já impressiona, o andamento e o ritmo da história dão um show.


Já se foram 50 anos desde o lançamento de “La Planète des singes” e um novo filme se aproxima dos cinemas. Por mais que seus preconceitos ou experiências traumáticas com os longas te afastem do livro, saiba que você estará perdendo um grande sci-fi. Diferente das adaptações e inovador à sua maneira, o trabalho do francês é, assim como seus orangotangos, inteligentíssimo.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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