quinta-feira, 8 de maio de 2014

Tirando a poeira de Equilibrium

 
Apesar de me interessar por diversos gêneros e procurar saber mais sobre cinema, olho pouca coisa quando estou prestes a ver um novo filme. Se você me recomenda algum, a chance de eu vê-lo é grande, mas já vou direto procura-lo para assistir. Nunca duvidei da eficácia deste método e a prova definitiva foi com “Equilibrium”, se eu tivesse entrado no Metacritic e encontrado a média 33/100, não sei não...


A trama se passa num futuro em que a Terceira Guerra Mundial já aconteceu e deixou sequelas na humanidade. Para que isto nunca mais ocorra, o Estado se torna fascista e impõe um soro a ser tomado por todos os habitantes, este composto impede que as pessoas tenham sentimentos. John Preston (Christian Bale) é um agente que trabalha para manter a ordem e prender os que fazem parte da Resistência. Por um descuido, John deixa de tomar o soro e passa então a conhecer um diferente mundo.

Não vou me estender demais no caso do Metacritic, eu entendo que o filme foi exibido em pouquíssimos lugares e nem o número de notas atribuídas corresponde a algo “grande”. Mas uma coisa que deve ter pesado bastante é a suposta insistência de “Equilibrium” em tentar se apoiar na estética já consagrada de Matrix. Os Wachowski fizeram moda com seu universo e têm seus méritos, o grande problema é que eles criaram uma febre e um consequente câncer no cinema americano. Após o primeiro longa, filme de ação só comprovava pertencer a este gênero se trouxesse bullet-time, roupinhas maneiras, câmera lenta, etc.

Kurt Wimmer já falou a respeito da arte marcial fictícia utilizada em seu filme e seus argumentos soam bem coerentes. Como se escrever e dirigir um fracasso comercial já não fosse humilhação o suficiente na indústria, o cara ainda teve que ficar se explicando. Mas vamos então ao lado bom da história: o cineasta –em quase duas horas de filme – prova que sabe como conduzir um bom sci-fi e faz de “Equilibrium” uma obra que coloca o espectador a pensar.


O roteiro é muito eficiente ao não explicitar demais as coisas e tem um ritmo de acontecimentos interessante. A segunda metade é um pouco cheia de plot-twists, mas nada que uma boa direção não dê o tom certo. Wimmer demonstra sua habilidade em trazer questionamentos sem abrir mão de um bom plot ou de cenas de ação pontuais. Se fosse feito hoje, talvez algumas coisas não soassem um pouco excessivas, mas levando-se em conta o ano em que foi feito o longa não desaponta.

Christian Bale é o seu Batman favorito que eu sei. Preferências à parte, o ator carrega muito do filme nas costas e dá o desenvolvimento perfeito à John Preston. Sua boa atuação é fundamental nos diversos estágios que separam a frieza da humanização do personagem.


Se estiver cansado de “comédias” com Adam Sandler, não recomendo que você veja esse filme, receito que você se recupere dessa lavagem cerebral. Mas caso esteja a fim de algo mais denso e bem inteligente, “Equilibrium” tem a medida perfeita para um exercício mental interessante.

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