sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tirando a poeira de Eles Vivem

 

John Nada (Roddy Piper) acaba de se mudar para Los Angeles e lá encontra um trabalho numa construção. Instigado a descobrir o que tanto acontece numa Igreja perto de onde mora, John encontra um óculos de sol que lhe possibilita enxergar o que a olho nu ninguém perceberia.

“They Live” é considerado um dos trabalhos mais esquisitos do diretor John Carpenter, que ainda roteiriza e contribui na trilha sonora. Baseado no conto “Eight O'Clock in the Morning” de Ray Nelson, o filme foi realizado com um orçamento de US$ 3 milhões e lucrou algo em torno de US$ 10 milhões.

Costumo usar uma frase de David Lynch como uma de minhas máximas, já dizia o artista que “a obra deve se bastar”. Se você não conseguiu fazer nenhuma leitura sobre algum trabalho na primeira vez que o viu, não culpe-o e tente outra vez. E se isso dá certo até mesmo com as maluquices de Lynch, por que não funcionaria com outros filmes?


O longa de Carpenter é inteligente e funciona ao levantar suas críticas. Por não explicar demais, abre espaço para que o espectador interfira e faça sua própria interpretação. Ou seja, nem é preciso quebrar demais a cabeça, “Eles Vivem” fornece direções e não complica muito. O grande problema está mesmo é no roteiro muito mal escrito. Além de situações desnecessárias (e que o diga a porrada entre John e seu amigo Frank), os personagens não têm nenhuma profundidade ou motivações.

O protagonista ainda sofre com a atuação de Roddy Piper, que não traz expressividade em seu trabalho e contribui em muito para que o filme se torne uma galhofa. Keith David e Meg Foster não foram as escolhas ideais para os papeis para os quais foram chamados, mas não chegam a incomodar.

O baixo orçamento limitou bastante a aplicação de algumas boas ideias do filme. Por que não devemos pegar tanto no pé disso? Porque fazer cinema é uma coisa cara, e quando não há o dinheiro para grandes locações ou usar efeitos de primeira, o que sempre prevalece é a ideia por trás. Carpenter, em suas diversas boas sacadas, não decepciona ao saber trabalhar com as limitações financeiras do filme.

Gary B. Kibbe faz uma fotografia simples e objetiva, pode até se equivocar em alguns planos mais longos, mas não deixa a desejar. Por outro lado, decepciona bastante a trilha feita por John Carpenter e Alan Howarth. Por insistir demais num mesmo tema (e não me venha dizer que isso faz parte da crítica!), esta assume o mesmo tom de grande parte da obra.


Você encontrou alguma brilhante interpretação? Não guarde para o grupo do tênis verde e compartilhe-a conosco. Mas por melhor que ela seja, tenho quase certeza que ainda não salvará o filme de seus diversos tropeços.

[NÃO RECOMENDADO]
 
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