sábado, 3 de maio de 2014

O advento do Chroma key

 

Chroma key é usado em massa nas pequenas e grandes produções. Para começar, vamos conferir essa definição colada do site mais querido dos pesquisadores acadêmicos:
"Chroma key é uma técnica de efeito visual que consiste em colocar uma imagem sobre uma outra através do anulamento de uma cor padrão, como por exemplo, o verde ou o azul."
Para compreendermos como essa técnica pode se tornar tão acessível, precisamos entender brevemente como surgiu.

O processo de anulação de cor proveio do Matte Shot, de George Méliès (1961-1938). O Matte Shot é uma técnica dupla exposição em preto e branco, ou seja, a película é submetida à exposição duas ou mais vezes, logo, as áreas que não foram "queimadas" pela luz na primeira captação acabam sendo queimadas na segunda, e o resultado...


Adiantando um pouco, em 1925 surge o Dunning Process, no qual se usava uma tela azul e o os objetos eram pintados e/ou iluminados de amarelo para gerar contraste na captação. Portanto, só funcionava para filmes em preto e branco e essa técnica foi usada no filme King Kong, de 1933.


O qualidade no uso da técnica em filmes coloridos deve-se ao surgimento do Technicolor e da engenhosidade de Petro Vlahos, que aprimorou o método de Larry Buttler usada no filme O Ladrão de Bagdá (The Thief of Bagdad, 1940), o engenheiro usou o método de captação em três rolos diferentes que captavam tonalidades também diferentes para a futura remoção e reaplicação da imagem em outro fundo. Nesse caso, foi escolhida a cor azul por ser o tom captado que possuía o menor índice de grãos, ou seja, era um tom mais homogêneo.


Vlahos prosseguiu com novos testes em Technicolor e um dos mais relevantes foi o de reposição de fundo amarelo usando lâmpadas de vapor de sódio e um prisma especial que anulava a cor especifica gerada pela lâmpada, muito usado nas produções de Walt Disney, Valdisnei para os chegados.

Ben Hur, de 1959, é tão relevante nessa história toda que a MGM contratou Vlahos para produzir tais efeitos. Desta vez a técnica era feita em fundo azul e acaba sendo mais complicada. Eram usados 12 rolos diferentes para conseguir o resultado pretendido.

Abaixo os exemplos impressionantes de uso do fundo amarelo (Mary Poppins, de 1964) e do fundo azul (Ben Hur, 1956), respectivamente:




Com a evolução do cinema digital, a cor de substituição predominante nesse padrão de captação é o verde. Sabe o motivo?

• O verde não requer muita iluminação;
• Funciona muito bem em locações abertas;
• É menos comum em roupas e vestimentas do que o azul, por exemplo;
• A maioria das câmeras digitais atuais funciona com um sensor baseado no filtro bayer.


O filtro bayer é padrão de captação para câmeras digitais que absorvem três tipos de luz: verde, vermelho e amarelo. Em seguida as interpreta em um processo chamado "demosaicing", no qual as cores são intercaladas gerando uma especulação de cores intermediárias. Nesse processo o verde é predominante já que o sensor é quadrado o sistema é de três cores, logo, entre quatro um deve se repetir. 

Portanto, o verde é muito melhor discernido em câmeras digitais do que outras cores especialmente em câmeras que captam em um formato chamado de "RAW", como Black Magic Cinema Camera, Red Scarlet e a Canon 5D Mark III (com magic lantern/hack). Nesse formato as informações cruas, propriamente ditas, são preservadas tornando ainda mais fácil a remoção do verde.



Isso é tudo, pessoal! Criticas, sugestões, correções e afins podem ser colocadas abaixo.

Para fechar, assistam a um vídeo/resumo do livro "A Espada na Pedra" feito por mim para fins escolares. Ele reforça que não é necessária uma grande produção para desfrutar de alguns efeitos famosos, mesmo que não perfeitamente. Até mais!

 
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