terça-feira, 27 de maio de 2014

Crítica - X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

 
O mês que vem marca o 14º aniversário de X-Men nas telonas. De lá pra cá, foram sete filmes e grana a rodo nos cofres da Fox. A mais recente aventura dos mutantes, “Dias de um Futuro Esquecido”, estreou na última quinta-feira e é considerada uma das investidas mais ambiciosas do estúdio.


Num futuro em que os mutantes devem se esconder dos impiedosos Sentinelas (robôs programados a matá-los), Wolverine (Hugh Jackman) retorna aos anos 1970 para impedir que isto ocorra. As grandes máquinas foram idealizadas pelo cientista Bolívar Trask (Peter Dinklage), assassinado naquela época por Mística (Jennifer Lawrence).

Fazer uma sinopse de um filme que envolve tanta coisa é complicado, então nem precisa reclamar das poucas palavras utilizadas. Mas quem diria, hein? Partindo de uma história original sem muitas pretensões, Simon Kinberg consegue adaptá-la fielmente (com suas concessões) e ainda articulá-la de forma a organizar grande parte das coisinhas do universo. Quem previa que o “excesso” de personagens prejudicaria o filme queimou a língua, o roteiro dá o espaço necessário para o desenvolvimento de cada um e não abre mão do que foi construído anteriormente.

Algo que vinha sendo discutido é o fato de o filme consertar os erros presentes na cronologia. Essa, nem de longe, era uma de suas maiores preocupações. Se corrige algum? É claro que sim, mas o arriscado final abre espaço para que muitas histórias sejam exploradas dali em diante. Há alguns dias, foi anunciado que “X-Men: Apocalipse” contará com uma participação maior dos mutantes de “First Class”, e bem, acho que isso já explica...


Aliado à ótima direção de Singer, o roteiro dá o tempo necessário para as duas linhas temporais. A presença de dois clímaces (existe isso?) faz a experiência do espectador ficar muito imersiva. No mais, uma das únicas coisas que me incomodou foi o discurso “humanos x mutantes” ainda ser uma das maiores discussões. Os trabalhos anteriores exploraram isso bem, já é hora da franquia procurar novos ares.

Com a volta de Bryan Singer, há o retorno do característico estilo do cineasta e seus acertos são visíveis logo no começo, que traz entre as primeiras sequências uma luta de tirar o fôlego. Nas cenas de ação, Singer encaixa cada personagem em seu lugar e o espectador não se perde em meio aos movimentos destes. Os efeitos especiais contribuem em muito para o sucesso do diretor ao representar estas cenas, fazendo com que a ação seja efetiva tanto do ponto de vista narrativo quando estético.


Se ainda é válido falar da direção, é bom atrelá-la ao elenco, resultando, dentre os vários acertos, numa excelente relação entre os personagens. Todos os atores pegaram personagem de épocas diferentes das quais foram interpretados anteriormente. Ou seja, mesmo que tenham feito boas atuações no passado, o que viriam a fazer agora envolvia algo mais desafiador. Um grande problema? Que nada, fichinha para que atuações esplêndidas viessem a acontecer novamente. Para não encher o texto de nomes, é preferível que a citação dos bons venha a ser vista aqui.

Outra coisa que chama bastante atenção é a representação dos anos 1970. A caracterização dos personagens deixa o clima perfeito e ainda abre espaço para boas sacadas dos figurinistas. O Xavier jogado e desiludido usa roupas jovens e pouco escolhidas, enquanto que seu amadurecimento é demonstrado pelo visual marcante e decidido. Um aperitivo a mais para aumentar a apreciação da obra. 


Não sei de você, mas “X-Men: Days of Future Past” é tudo aquilo que eu esperava e um pouco mais. O filme continua nos trilhos deixados pelo excelente “Primeira Classe” e dá bons rumos para o futuro da franquia. Se você ainda é daqueles que reclama de Wolverine ser o protagonista e do fato de muita coisa “não ser como é nos quadrinhos”, você está sendo muito chato e deixando de ver bons filmes. 

[MUITO RECOMENDADO]
 
© 2014. Design por Main Blogger | Editado e finalizado por Guilherme e Carlos