quinta-feira, 17 de abril de 2014

Tirando a poeira de Jovens, Loucos e Rebeldes

 

O último dia do ensino médio americano (mais conhecido como high school) é um pouco diferente do nosso, os veteranos já fazem com os calouros o que consideraríamos como trote e até esses nomes se aplicam de outra forma. Neste filme ambientado na década de 70, vemos como é este dia na visão de diferentes alunos, seja do esportista bonitão ou do nerd indeciso.

Lançado em 1993, “Dazed and Confused” foi recebido positivamente pela crítica e mesmo assim acabou com uma bilheteria bem fraca. Alguns anos se passaram e hoje o filme é um cult muito bem falado, ao ponto que Quentin Tarantino o considerou como um de seus filmes preferidos.

As músicas dão o clima necessário para o filme se desenvolver em sua proposta. Além de marcar bastante algumas cenas, a trilha sonora conta com canções que viriam a se tornar bem conhecidas após esta “recente redescoberta” do filme, um bom exemplo é Low Rider.

E assim como essas descompromissadas músicas, a abordagem é muito divertida e envolve o espectador. Richard Linklater, que roteiriza e dirige, constrói um clima agradável e envolvente.


Mas minha leitura da obra não gira em torno do contexto, do que acontecia ou até mesmo de momentos, e sim de personagens. Há um elenco gigante (e que te faz acompanhar os créditos só pra matar a curiosidade de quem era quem) e dá pra se surpreender bastante com algumas figuras. Quem diria que Ben Affleck poderia viver um valentão de forma tão verossímil?

Por estarem em um número grande, os personagens poderiam facilmente ser esquecidos após a primeira cena. Felizmente, Linklater trabalha o desenvolvimento, relações e densidade de cada uma de suas criações.

Alguns atores escorregaram ao estereotiparem demais seus personagens, mas isto pouco interfere na apreciação do filme. Além de Affleck, devo citar os ótimos papeis de Jason London e Wiley Wiggins.


“Jovens, Loucos e Rebeldes” é um título que pouco entrega o que o filme apresenta, mas que ainda assim transmite um pedaço de sua essência. Se Tarantino ainda não o convenceu de assisti-lo, talvez (e eu disse talvez) esta pequena recomendação o ajude.

[MUITO RECOMENDADO]
 
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