quinta-feira, 24 de abril de 2014

Tirando a poeira de Heleno

 

Em 2011, chegava ao cinema nacional o filme “Heleno – O Príncipe Maldito”, estrelado por Rodrigo Santoro e dirigido por José Henrique Fonseca (O Homem do Ano). Com a proposta de ser uma biografia sobre o jogador Heleno, que se destacou no Botafogo, mas também jogou em outros clubes como o Boca Juniors (Argentina) e Vasco, o filme dividiu a opinião dos cinéfilos e fãs de futebol.

Durante o dia, Heleno de Freitas era um grande jogador que, apesar de comandar o time nas partidas, tinha um temperamento forte, gostava de se impor e sempre mostrava autoridade sobre os demais jogadores. Durante as noites, ele era um galã e gostava das farras do Rio de Janeiro (onde viveu grande parte de sua vida).

O drama vivido por Heleno em toda sua carreira é o foco do filme. Porém, em muitos momentos esse drama é mal explorado. Algumas decisões tomadas pelo diretor fizeram com que muitas cenas não pudessem ser bem desenvolvidas. Um exemplo é a relação do jogador com seu colega de clube Alberto (Erom Cordeiro), que muitas vezes é mostrada de maneira superficial e não deixa clara a verdadeira relação afetiva entre os dois amigos.


Apesar de vários pontos negativos, o longa é perfeito esteticamente. Vamos começar com a trilha sonora, que é muito bem explorada e acompanha perfeitamente o drama e a vida boêmia de Heleno. A maquiagem e o figurino também se destacam, principalmente no momento em que o jogador está bastante doente.

A direção de fotografia merece aplausos. O filme possui um visual bastante semelhante ao da década de 1940. Além de ser todo em preto e branco, as paisagens mostradas foram bem trabalhadas, principalmente a praia de Copacabana, mostrada detalhadamente com hotéis ao redor e carros da época.

Se o roteiro não ajuda, os atores fazem a sua parte. Rodrigo Santoro fez um ótimo trabalho (um dos melhores do cinema nacional nos últimos anos) e soube representar todo o drama de Heleno. Alinne Moraes e Erom Cordeiro também fazem grandes atuações.


Tudo bem que o roteiro é mal explorado e a direção deixa a desejar em muitos momentos, mas “Heleno: O Príncipe Maldito” é perfeito visualmente, tem grandes atuações e ainda faz grandes homenagens ao futebol em alguns diálogos marcantes como: “Eu não sou um jogador de futebol, eu sou a própria vontade de jogar, eu sou a garra em forma de gente”.

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